Em comunicado divulgado no dia em que terminou a consulta pública do Complexo de Anexos Mineiros do projeto “Concessão de Exploração de Depósitos Minerais de Lítio e Minerais – Romano”, no concelho de Montalegre, a Zero alerta que “o lobo-ibérico será descartável” se este avançar.
Os ambientalistas recordam que a localização do CAM teve anteriormente parecer desfavorável por parte da Comissão de Avaliação “por perturbação da área vital da alcateia de lobo ibérico do Leiranco”. Agora, o promotor “refugia-se na minimização e compensação dos impactes ambientais resultantes da implementação do projeto”. Medidas apresentadas como de compensação mas que “não passam de promessas” e apresenta “muitas dúvidas que verdadeiramente compensem no curto prazo os impactes sobre a espécie”, pretendendo fazer o lobo “coabitar num território com uma mina e com população perto”.
A Zero reitera as críticas apresentadas na primeira consulta pública, defendendo que se insiste “numa alternativa em que os valores naturais são relegados para um segundo plano”.
A ONG recorda ainda que a sobrevivência do lobo ibérico “está fortemente ameaçada, nomeadamente pela destruição e fragmentação do habitat, causados pela atividade humana”.
Lobo ibérico desaparece da Andaluzia, especialistas culpam inação do governo
O El Correo de Andalucía revelou na passada sexta-feira que o recenseamento feito pela Junta da Andaluzia concluiu que o lobo ibérico está extinto na região desde 2020. O último relatório do Programa de Ação para a Conservação do Lobo Ibérico na Andaluzia, só agora conhecido, “não encontrou nenhuma prova de presença de lobos” numa análise de 2.000 quilómetros quadrados que durou mais de um ano.
A notícia não apanhou os especialistas de surpresa. Desde há muito tempo que os relatórios tinham vindo a confirmá-la. Felipe Román, biólogo e membro do Grupo Lobo Andalucía y de la Asociación para la Conservación y Estudio del Lobo Ibérico, ao El Diario, confirma que “pelo menos desde 2013 que toda gente sabia que já não há lobos na Andaluzia”. Jorge Echegaray, um dos maiores especialistas na espécie, confirma.
Para além disso, desde 2003 não se registava a presença de nenhum grupo reprodutor.
O Canis lupus signatus não foi formalmente considerado uma espécie em vias de extinção nem espécie vulnerável pelo governo regional da Andaluzia. Este tinha, contudo, criado em 2003 aquele programa para seguir a sua população e aplicar medidas de proteção. Em 2016, com fundos europeus, avançou-se com um projeto Life Lobo para a salvaguarda da espécie na região.
Román e outros ativistas criticam a inação da Junta Regional. Jorge Echegaray diz que o plano de recuperação regional era “uma falácia” e questiona “porque não se elevou a proteção legal do lobo até à sua categoria máxima” quando está “desde há décadas” “mais ameaçado do que o lince”.
Apesar disto, agora, a equipa de seguimento continuará no terreno “face à provável recolonização da Andaluzia, a médio prazo, pela expansão que o lobo está a experimentar no norte e centro da península”. Contudo, Luis Suárez, do World Wildlife Fund, ao Guardian, vinca que esta “má notícia” “confirma a tendência negativa para as poucas alcateias existentes no sul de Espanha”. E alerta que estas estão “física e geneticamente isoladas dos lobos do resto de Espanha”. Também ele considera que “a vergonha perda dos lobos na Andaluzia está diretamente relacionada com a falta de vontade política por parte do governo regional de adotar medidas de conservação”. O ativista pensa que a causa disto é a força do lóbis da caça e a pressão do setor da ganadaria.