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Lisboa: primeira sala de consumo assistido de drogas tem mais de cem utentes regulares

Uma reportagem da televisão pública mostra as condições sanitárias em que se fazem os consumos e ouve técnicos e utentes sobre a importância da experiência. O vereador Manuel Grilo pensa que foi um passo natural depois do balanço “extremamente positivo” da sala de consumo móvel promovida pela autarquia.
Foto da primeira sala de consumo assistido a abrir em Paris. Imagem de Espace Gaïa.
Foto da primeira sala de consumo assistido a abrir em Paris. Imagem de Espace Gaïa.

A primeira sala fixa de consumo assistido de drogas nasceu a 18 de maio na zona do Vale de Alcântara, em Lisboa. Desde então teve mais de 120 utentes regulares. O número é apresentado numa reportagem da RTP que foi conhecer o local, falando com técnicos e utentes do espaço.

O vereador bloquista Manuel Grilo também foi escutado e explicou que o primeiro objetivo desta sala é “retirar as pessoas que consomem do consumo a céu aberto”. O segundo é “conseguir que estas pessoas tenham atendimento ao nível das estruturas de saúde”.

O projeto nasceu há dois anos com uma sala móvel instalada numa carrinha. Manuel Grilo diz que o balanço desta experiência foi “extremamente positivo” o que “veio facilitar a compreensão por parte de todos da necessidade, da oportunidade e da valia de uma sala de consumo fixa”. Nesta, salienta, é possível realizar consumos que não o são numa sala móvel como o fumar.

Mas a sala de consumo assistido não se limita a oferecer um espaço onde o consumo se pode fazer em condições sanitárias e de segurança. Possibilita espaços onde se pode, por exemplo, fazer a higiene pessoal, lavar a roupa ou cortar o cabelo. Para Elsa Belo, diretora da Ares do Pinhal, a associação de recuperação de toxicodependentes responsável pela gestão do equipamento, o convívio que se estabelece possibilita também a relação, “uma relação que se quer terapêutica”.

João Goulão do SICAD, Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, igualmente ouvido pela RTP, concorda com a existência da sala sobretudo por causa da existência de uma população “envelhecida”, dependente de opiáceos, “os antigos heroinodependentes”, “em relação aos quais as medidas de recuperação social, uma reintegração ad integrum na sociedade é mais problemática”.

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