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LinkedIn bloqueia conteúdos considerados sensíveis pela China

Autores com livros ou artigos com referência ao massacre de Tiananmen, por exemplo, são bloqueados na China. A empresa pertencente à Microsoft, uma das poucas redes sociais ocidentais que opera no país, diz apenas estar comprometida com a lei local.
LinkedIn. Foto de Nan Palmero/Flickr.
LinkedIn. Foto de Nan Palmero/Flickr.

O LinkedIn, rede social dedicada à procura de emprego e ao desenvolvimento de carreiras que é propriedade da Microsoft desde 2016, está a bloquear conteúdos considerados politicamente sensíveis pela China. A informação foi avançada pelo Guardian, que apresenta os exemplos de vários académicos e analistas com trabalhos sobre este país e que receberam notificações de que haveria “conteúdo proibido” nas suas páginas.

Há casos em que o conteúdo é bloqueado apenas devido apenas a uma menção sobre um dos assuntos a que é proibida a mera referência: o massacre da Praça Tiananmen. Jojje Olsson, escritor e fotógrafo sueco, recebeu um e-mail a notificá-lo de que, devido a uma indicação na parte do perfil referente à sua formação, o seu perfil, comentários e publicações “não estariam visíveis na China”. A causa: a referência no currículo à sua tese académica que era sobre o massacre de Tiananmen. Olsson tornou público o e-mail enviado pelo LinkedIn na sua página do Twitter, no qual a empresa prometia que iria trabalhar com ele para “minimizar o impacto e rever a acessibilidade do perfil na China se atualizar a secção de educação do seu perfil”. O autor acusa a rede social de “censura”, não “devido a qualquer publicação ou comentários que tenha feito, mas por causa do tema do meu ensaio há mais de uma década”.

Algo idêntico se passou com J. Michael Cole, académico do Global Taiwan Institute. Este suspeita que o bloqueio tenha sido por causa do livro How China Undermines Global Democracy; Cross-Strait Relations Since 2016: The End of the Illusion; and Convergence or Conflict in the Taiwan Strait. Também a este autor a rede social dizia que poderia editar o seu perfil para se adequar. Mas este, ao jornal britânico, disse que isso seria “uma não-escolha e nada menos do que um convite à auto-censura”.

O LinkedIn entrou no mercado chinês em 2014. Aceitou com isso a censura do governo. O seu administrador executivo, Jeff Weiner, comprometia-se a implementar restrições apenas “no momento e na extensão requeridas” para poder operar. Logo nesse ano houve censura de publicações sobre Tiananmen. Desde 2017 que não é possível colocar ofertas de empregos de países ocidentais para a China.

O cerco às publicações parece ter apertado agora. Em março passado, o South China Morning Post dava conta de que o LinkedIn tinha sido punido pelos reguladores chineses devido a falhas no controlo de conteúdo político. Durante 30 dias, a empresa foi obrigada a suspender novas subscrições vindas da China. A empresa confirmou na altura que estava a trabalhar “para assegurar que mantinha o cumprimento da lei local”. A posição oficial sobre estes bloqueios continua a ser essa: “para criar valor para os nossos membros na China e no resto do mundo, precisamos de implementar as restrições do governo no momento e na extensão requeridas” por este, transmitiu a empresa ao Business Insider sobre o caso de Olsson.

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