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Limitar a desigualdade salarial nas empresas? Não basta a indignação, diz o Bloco

Deputados discutem na sexta-feira a redução da desigualdade salarial nas empresas. Esta terça, o Bloco organiza um debate sobre o tema em São Bento.
Foto cerillion.com/Flickr

O projeto de lei do Bloco de Esquerda para que o governo defina um leque salarial de referência na administração pública e nos vários sectores da economia está na agenda parlamentar desta semana. Antes do debate em plenário da proposta, o Bloco organiza esta terça-feira às 17h30 um debate público com a presença do economista Ricardo Paes Mamede, do deputado socialista e líder da JS Ivan Gonçalves, da trabalhadora e membro da Sub-CT dos CTT Paula Rosa. José Soeiro e Catarina Martins também intervirão neste debate que tem lugar no Centro de Acolhimento ao Cidadão da Assembleia d República.

Segundo a edição desta terça-feira do jornal Público, o PS ainda não definiu o sentido de voto quanto à proposta bloquista, que deixa o governo a prerrogativa de estabelecer o diferencial máximo entre a remuneração mais alta e a mais baixa na mesma empresa. No caso das empresas privadas que optem por não respeitar o limite ao leque salarial, deixam de poder receber subsídios do Estado e de participar em concursos públicos.

“É preciso que sejamos consequentes relativamente à indignação que manifestamos com este tipo de desigualdades indecentes e injustificadas. Demos o primeiro passo, mas queremos que esta seja uma causa não apenas nossa, mas da democracia, e estamos por isso inteiramente disponíveis para trabalhar em conjunto com todos, na especialidade”, afirmou o deputado José Soeiro ao Público.

A indignação com o nível salarial praticado nas maiores empresas, nomeadamente as cotadas no PSI-20, não é um exclusivo do Bloco, que já levou a questão ao debate parlamentar em anteriores legislaturas. A propósito das reumerações praticadas na EDP, o próprio primeiro-ministro dizia em agosto, em entrevista ao Expresso, que “não é aceitável esta disparidade”. Portugal continua a ser o quarto país da União Europeia com a maior desigualdade salarial e a situação agrava-se a cada ano que passa.

Se a insatisfação com a deigualdade salarial é generalizada, um estudo da Harvard Business School feito em 2014 e agora citado pelo Público, indica que os portugueses, à semelhança da população de outros países, tem uma perceção dessa desigualdade que fica muito aquém da realidade. Em média, os inquiridos portugueses declararam que a diferença do salário de um gestor em relação ao trabalhador com menor salário na mesma empresa era de 14 vezes. Na realidade, essa diferença era de 53 vezes, indica o mesmo estudo. Para os inquiridos, a diferença ideal não deveria ser mais de cinco vezes entre o salário mais alto e o mais baixo.

Em 2017, a maior diferença salarial registou-se no grupo Jerónimo Martins, onde o gestor Pedro Soares dos Santos ganhou cerca de 2 milhões de euros em vencimentos e prémios. A diferença para o salário médio praticado no grupo foi de 155 vezes. No caso da EDP, onde António Mexia ter ganho 2.29 milhões em 2017, essa diferença foi de 39 vezes.

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