Está aqui

Liga francesa de futebol cria plano de ação contra a homofobia

A liga francesa de futebol decidiu agir contra a homofobia no desporto com ações simbólicas mas também com multas e sanções pesadas. Em Portugal foi o Estoril Praia o clube que, nesta época, esteve na linha da frente deste tema com uma campanha anti-discriminação lgbti.
Foto de panamboyz.fr

Os cânticos nos estádios e as declarações de treinadores e jogadores levam-nos a crer que no futebol a homofobia joga em casa. Foi para contrariar essa tendência que a Liga Francesa de Futebol decidiu agir, criando um plano de ação que foi apresentado esta segunda-feira.

No próximo dia 17 de maio, jornada internacional contra a homofobia, e no dia seguinte, capitães, treinadores, delegados de jogo e árbitros “serão convidados a colocar uma braçadeira com as cores do arco-íris”. E, ao longo de toda a próxima época, folhetos pedagógicos e oficinas para “desconstruir clichés” vão ser dirigidos a jovens jogadores. Mas nem todas as medidas no plano, co-elaborado com associações como o SOS Homofobia e o Foot Ensemble e o clube inclusivo PanamBoyz & Girlz United, são meramente simbólicas. Prometem-se multas pesadas, fez-se uma ficha que permite sinalizar com facilidade os atos de discriminação e preveem-se processos disciplinares e judiciais.

A presidente da Liga, Nathalie Boy de la Tour, pretende desenvolver “um sistema completo” com o objetivo de “erradicar de forma definitiva” a homofobia nos estádios de futebol.

Estas medidas vêm na sequência do jogo Paris Saint-Germain-Marselha que ficou marcado pelos cânticos homofóbicos por parte dos adeptos do PSG e que a própria ministra dos Desportos, Roxana Maracineanu tinha denunciado. Se agora, de la Tour apresenta um programa completo de luta contra a homofobia, nessa ocasião foi acusada de procurar desvalorizar o problema da homofobia. Perante as palavras duras da ministra, limitou-se a dizer que tais cânticos era “a expressão de um fervor popular que é preciso tomar como tal.”

Também no jogo da segunda divisão entre Lens e Valenciennes os apoiantes da equipa da casa fizeram o mesmo. Então, o clube foi multado em 50 mil euros e teve um jogo à porta fechada. Pela mesma razão, o Grenoble, igualmente da segunda liga, foi obrigado a pagar 10 mil euros devido a uma bandeirola injuriosa. Pelos valores em causa, estas sanções foram consideradas inovadoras no futebol francês.

O Estoril Praia é “um clube para todos”

Em Portugal, o clube que entrou em campo contra a homofobia esta época foi o Estoril Praia. Em fevereiro lançou a campanha “um clube para todos”, produziu cachecóis com as cores do arco-íris e as braçadeiras de capitão e treinadores também tiveram as cores da comunidade lgbti.

O clube promoveu também ações de formação para treinadores e dirigentes.

Alexandre Faria, o presidente do Estoril Praia, declarou ao site do seu clube que “Não há espaço no nosso clube para qualquer tipo de preconceito e discriminação. O cachecol do arco-íris é, só por si, uma mensagem clara, mas vamos mais longe. Temos em marcha um processo de formação de treinadores, coordenadores e dirigentes, que tem por objetivo capacitá-los para identificar, gerir e valorizar a diferença. Não vamos permitir qualquer tipo de ato discriminatório”.

Termos relacionados Sociedade
(...)