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Líbano: regressam as manifestações… de carro

O parlamento retomou sessões e aprovou a legalização da canábis para uso medicinal e industrial. Os manifestantes voltam a exigir o fim da corrupção e solução para a crise económica em que o país está afundado.
21 de abril de 2020. As manifestações regressam ao Líbano. Foto de WAEL HAMZEH/EPA/LUSA.
21 de abril de 2020. As manifestações regressam ao Líbano. Foto de WAEL HAMZEH/EPA/LUSA.

Esta terça-feira, os libaneses voltaram a sair às ruas em protesto. O movimento popular que sacudiu o país desde outubro do ano passado tinha ficado em casa durante mês e meio de confinamento durante o dia e de recolher obrigatório durante a noite.

Regressa agora com os devidos cuidados sanitários: as manifestações fizeram-se com filas ordenadas de automóveis a percorrer as ruas do país. As razões para o protesto, essas, permanecem: a crise económica e política do país não parou de agravar-se, a pobreza, o desemprego, a inflação, a falta de serviços públicos e a corrupção continuam sendo referidas como preocupações centrais dos manifestantes. As palavras de ordem também são as mesmas: em várias cidades do país gritou-se “revolução” enquanto se agitavam bandeiras libanesas.

Os protestos aconteceram no mesmo dia em que o Palácio UNESCO, um teatro de Beirute, foi palco da primeira sessão parlamentar desde o início do confinamento. Também esta foi marcada pelo distanciamento social, pelas máscaras e pelo desinfetante lançado a cada um dos deputados que entravam na sala.

A agenda da sessão parlamentar de três dias era variada: desde a criação de uma comissão nacional anti-corrupção, a uma lei de amnistia, à aceitação de um empréstimo do Banco Mundial, à legalização da plantação de canábis para uso médico e industrial. Os produtores tradicionais da planta ficarão excluídos do processo, que será aberto a novos agentes empresariais com vista à exportação para o Canadá.

No Líbano, o novo coronavírus matou 21 pessoas e 677 foram afetadas. Na passada terça-feira, não se registou nenhum novo caso de infeção. Mas os efeitos da pandemia irão agravar ainda mais uma situação já de si sentida como insuportável. O Banco Mundial projetava, ainda antes da disseminação da Covid-19, que 40% da população esteja numa situação de pobreza em 2020.

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