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Letras gigantes em Lisboa contra acordo UE-Mercosul

Inserida numa semana internacional de luta da aliança que junta mais de 450 organizações, os ativistas escreveram “Stop UE-Mercosul" na Alameda D. Afonso Henriques.
Stop UE-Mercosul. Mensagem escrita na Alameda D. Afonso Henriques em Lisboa. Foto da organização da ação.
Stop UE-Mercosul. Mensagem escrita na Alameda D. Afonso Henriques em Lisboa. Foto da organização da ação.

“Stop UE-Mercosul”: a mensagem gigante podia ler-se na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, na manhã desta terça-feira. As letras que ocuparam 125 metros foram trazidas pela rede STOP UE-Mercosul, que se opõe ao acordo comercial entre a União Europeia e os países pertencentes ao Mercosul.

Na mesma ação, inserida numa semana internacional de luta da aliança internacional que contam com mais de 450 organizações, houve ainda performances e intervenções.

A rede Stop UE-Mercosul critica o governo português porque “não tem representado as pessoas, as quais se opõem ao acordo comercial devido ao potencial de agravar a destruição irreversível da floresta Amazónica, do Cerrado e outros biomas e de incentivar as violações de Direitos Humanos por parte do Presidente Jair Bolsonaro.” Refere a este propósito um estudo da YouGov que concluiu que 85% dos portugueses inquiridos defendem que não deve haver acordo enquanto a desflorestação da Amazónia não cessar.

Este resultado é o mais elevado nos 12 países europeus estudados. Por isso, Mariana Jesus, da organização da ação, considera “irónico que o governo português se apresente como o maior entusiasta deste acordo no palco europeu”.

O acordo de “livre comércio” entre União Europeia e o Mercosul foi assinado em 2019, mas ainda não foi ratificado. Os ambientalistas criticam-no devido ao aumento das emissões de gases de efeito de estufa que pode provocar, o aumento da desflorestação e a perda de biodiversidade. Também as maiores organizações sindicais na Europa e América do Sul se lhe opõem porque consideram que não salvaguarda a proteção dos direitos laborais e alertam, por exemplo, para os homicídios de líderes sindicais no Brasil, para a repressão de greves e perseguição aos sindicatos. A rede internacional contra o acordo refere ainda que os homicídios de indígenas dispararam com a recente triplicação dos conflitos territoriais que terão uma alegada relação com a ratificação do documento a que se têm oposto, na América do Sul, representantes dos povos indígenas. Na União Europeia, há várias associações de agricultores que também se têm manifestado contra, alertando para riscos para o setor e para a saúde pública.

Estas mesmas causas são elencadas por Bruno Góis da TROCA - Plataforma por um comércio internacional justo, que pertence à organização do evento: “Desmatamento da Amazónia, genocídio de índios e quilombolas, destruição de postos de trabalho, trocas comerciais desiguais, aumento do sofrimento animal. Pela justiça social e climática, STOP UE-Mercosul!”

 

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