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Lauak em greve contra transferências do local de trabalho e por mais direitos

A multinacional decidiu mudar o local de trabalho a 13 trabalhadoras de Setúbal para Grândola. Uma “forma discreta” de as empurrar para o desemprego porque assim não conseguirão conciliar a vida profissional com a familiar, esclarece o sindicato.
Trabalhadores da Lauak em luta. Foto da CGTP.

Esta sexta-feira, os trabalhadores da Lauak de Setúbal fizeram uma greve de 24 horas. Uma das razões tem a ver com a pretensão da multinacional da indústria aeronáutica de transferir o local de trabalho de 13 trabalhadoras da unidade situada no Parque Industrial Bluebiz daquela cidade para Grândola.

As trabalhadoras receberam já as cartas de transferência do local de trabalho. Esmeralda Marques, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, diz que as suas “realidades familiares não lhes permitem essa deslocação”. A atribuição de um novo local de trabalho impede-as de “conciliar a sua vida profissional com a vida familiar”. “Algumas estão numa situação de família monoparental e quase todas com filho menor de 12 anos a seu cargo”, escreve em comunicado o Fiequimetal.

Assim, o que a empresa está a fazer “de uma forma discreta”, reforça a sindicalista, é empurrar as trabalhadoras para o desemprego “levando a que tenham que elas próprias invocar esse prejuízo e fazer uma rescisão por justa causa, quando a empresa, neste momento, está a contratar cerca de 300 novos trabalhadores para as fábricas de Setúbal e de Grândola, sendo que atualmente em Grândola há uma necessidade de 53 novos trabalhadores. E há oito trabalhadoras que a empresa, com esta postura, acaba por empurrar para a rua”.

Outras das reivindicações do protesto eram os aumentos salariais. Sobre esta questão, a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, insistiu na reposição do poder de compra perdido devido à inflação: “os trabalhadores, os reformados e pensionistas têm neste momento as suas condições de vida muito degradadas com este aumento dos preços, com este aumento do custo de vida, que penaliza aquilo que já era uma dificuldade, que são os baixos salários, a precariedade, os horários longos e desregulados, o desinvestimento nos serviços públicos a que já estávamos submetidos E agora com esta inflação brutal”.

Há, por outro lado, obrigações acrescidas de aumentos salariais por parte da Lauak “porque é uma empresa de uma tecnologia de ponta e que tem muitos lucros, mas que não está a responder às exigências dos trabalhadores”. Isto num momento em que “temos grandes grupos económicos e financeiros a fazerem milhares de milhões de euros de lucros, a aumentarem os seus lucros, enquanto os trabalhadores e muitas camadas da população veem a degradação das suas condições de vida”.

Camarinha apelou ainda à participação no “dia nacional de indignação” marcado pela central sindical para o dia 9 de fevereiro.

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