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Largas centenas de pessoas marcharam pelas Vítimas de Violência Doméstica

Este domingo, realizou-se uma marcha silenciosa em Lisboa pela prevenção, a proteção das vítimas e a criminalização dos agressores. A deputada Sandra Cunha frisou que esta marcha retrata a indignação das pessoas “face às mortes que têm ocorrido e à forma como a violência doméstica tem sido desvalorizada”.
Foto esquerda.net

O protesto, organizado por oito pessoas da sociedade civil, foi convocado através do Facebook. A manifestação teve início pelas 15h no Marquês de Pombal, dirigindo-se posteriormente para a Assembleia da República. Alguns dos manifestantes levaram consigo balões para simbolizar as vítimas.

Segundo afirmou Joana Marques, uma das organizadoras da manifestação, em declarações ao Jornal de Notícias, a expectativa é "sensibilizar consciências para os trágicos acontecimentos que estão a decorrer desde o início do ano".

"Temos a plena noção de que esta manifestação pode ser uma gota de água mas é importante para acordar o poder político, os nossos decisores e a sociedade. Este é um exercício de cidadania", destacou.

Desvalorização da violência doméstica promove impunidade dos agressores

“Esta marcha retrata a indignação que as pessoas sentem face às mortes que têm ocorrido e à forma como a violência doméstica tem sido desvalorizada”, afirmou a deputada bloquista Sandra Cunha, que participou na iniciativa.

Segundo a dirigente do Bloco “é essa desvalorização que acaba também por promover a impunidade dos agressores e o sentimento de falta de proteção por parte das vítimas, desmotivando-as a apresentar queixa porque não confiam no sistema”.

Sandra Cunha lembrou que, na semana passada, o Governo anunciou que ia fazer uma reunião com vários ministérios e também com a Procuradoria-Geral da República e que, dessa reunião, saiu uma ideia importante de que os magistrados querem a alteração à Lei, bem como as associações de defesa e proteção das mulheres, as vítimas e os técnicos que estão no terreno.

“Pelos vistos, só no Parlamento é que não se quer alterações à Lei”, lamentou a deputada, recordando que o Bloco já apresentou várias iniciativas legislativas sobre esta matéria que foram chumbadas e desvalorizadas.

“Sabemos que é preciso atuar em muitos campos, como a formação de magistrados e órgãos policiais, que tem de se trabalhar na área da educação, investir em meios e serviços de apoio e que tem de haver articulação entre as várias entidades. Mas sabemos também que é preciso alterar aquilo que é a justiça e aquilo que é o nosso Código Penal”, assinalou a dirigente bloquista.

Sandra Cunha referiu que o nosso Código Penal “está baseado numa filosofia que não é de punição, é de prevenção” e que, neste momento, não está a prevenir o crime de violência doméstica nem está a prevenir os feminicídios”.

 

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