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"Lagarde será força de oposição às políticas para responder à crise climática e económica"

Os eurodeputados discutiram esta terça-feira a nomeação da ex-líder do FMI, que faltou ao debate. José Gusmão opôs-se à entrada no Banco Central Europeu desta “representante da doutrina económica do choque e pavor”.
José Gusmão.
José Gusmão. Foto GUE/NGL

O debate sobre a nomeação de Christine Lagarde para suceder a Mario Draghi à frente do Banco Central Europeu ficou marcado pela ausência da nomeada. Mas nem isso evitou o coro de críticas por parte de eurodeputados de várias bancadas.

Para o eurodeputado bloquista José Gusmão, Christine Lagarde é “uma representante da doutrina económica do choque e pavor, da política económica da salvação pela recessão que presidiu a programas de ajustamento”. Uma política com “consequências tão trágicas do ponto de vista social como contraproducentes do ponto de vista económico e orçamental”, prosseguiu.

“É pena que muitos dos que — mais cedo ou mais tarde — criticaram este programa de ajustamento estejam disponíveis para esquecer este percurso com base em meia dúzia de declarações públicas mais ou menos simpáticas”, criticou o eurodeputado, referindo-se ao apoio dado à ex-líder do FMI por parte da bancada socialista em Estrasburgo.

Embora não seja “função do BCE libertar a zona euro de uma estratégia crescimento medíocre viciado na utilização permanente de instrumentos extraordinários de política monetária”, José Gusmão sublinhou que Lagarde pode ser um obstáculo às soluções para as crises que se aproximam.

“Sabemos que temos uma crise climática hoje e que vamos ter uma crise económica num futuro próximo. E sabemos também, pelo seu percurso, que Christine Lagarde será uma força de oposição às políticas orçamentais e de serviços públicos que vamos precisar de ter para lhes dar resposta”, concluiu o eurodeputado.

O voto contra do Bloco de Esquerda foi acompanhado pelo seu grupo parlamentar GUE/NGL, que considerou a ausência de Lagarde deste debate “um desrespeito enorme pelos cidadãos e pela democracia”. Na sua intervenção, a eurodeputada francesa Manon Aubry lembrou que dos biliões de euros injetados pelo BCE nos mercados, “apenas 10% acabaram por chegar à economia real”, tendo o resto ajudado a “alimentar a bolha especulativa”.

O GUE/NGL lembrou também que 63% da compra de dívida privada por parte do BCE beneficiou algumas das empresas mais poluidoras do mundo.

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