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Krugman: fim do euro está próximo, se Alemanha mantiver a estratégia

O economista norte-americano Paul Krugman considera “muito possível” que a Grécia saia do euro no próximo mês e defende que, para evitar a rutura do euro, a Alemanha terá de aceitar ceder garantias à dívida de Itália e Espanha.
A “receita” de Krugman para evitar o colapso do euro é a Alemanha aceitar injetar, de forma indireta, créditos públicos nos “gigantes” da Itália e de Espanha, com garantias para a dívida dos países ou, caso contrário, será o fim do euro.

Numa entrada do seu blogue no New York Times intitulada "Eurodämmerung" (O Crepúsculo do Euro), o Nobel da Economia, Paul Krugman, admite que é “muito possível” que a Grécia abandone o euro já no próximo mês e explica o modo como lhe parece que o euro poderá acabar… ou não.

Primeiro, uma saída da Grécia, “muito possivelmente no próximo mês”. Entretanto, haverá “enormes levantamentos” dos bancos espanhóis e italianos, com os “depositantes a tentar mudar o seu dinheiro para a Alemanha”. Para Krugman, é também possível que sejam instituídos “controlos de fato, com os bancos proibidos de transferirem depósitos para fora do país e limites aos levantamentos em dinheiro”.

Perante este cenário, Krugman diz que o Banco Central Europeu (BCE) terá que intervir para fornecer liquidez aos bancos.

A “receita” de Krugman para evitar o colapso do euro é a Alemanha aceitar injetar, de forma indireta, créditos públicos nos “gigantes” da Itália e de Espanha, com garantias para a dívida dos países ou, caso contrário, será o fim do euro.

Krugman lembra que para dar alguma esperança a Espanha são necessárias garantias sobre a sua dívida (para os custos de endividamento se manterem suportáveis) e uma inflação mais elevada na zona euro, para tornar possível um ajustamento relativo dos preços.

A alternativa é o “fim do euro”, dentro de meses, e não de anos. É assim que lhe parece que "o jogo pode acabar”.

As previsões de Krugman surgem numa altura de grande impasse político na Grécia, depois das últimas eleições de 6 de Maio, com o cenário de novas eleições em meados de Junho a ganhar força. Isto depois de os três partidos mais votados, o Nova Democracia, o Syriza e o PASOK não terem conseguido chegar a acordo para formar um governo de unidade nacional.

Esta indefinição está a aumentar os receios entre os investidores quanto à possível saída da Grécia da união monetária, o que está a pressionar o euro e as bolsas europeias na sessão desta segunda-feira. Espanha e Itália continuam a pagar custos elevados para se financiarem no mercado de dívida. Após os leilões desta manhã, os juros da dívida acentuaram os ganhos, não só em Espanha e Itália, mas também em Portugal.

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