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Junta-te à campanha #AMinhaLutaNãoFazQuarentena

A campanha, lançada no Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, pretende ser “um ponto de partida para o trabalho coletivo e plural”, transversal a toda a sociedade, “mas no qual se pretende, em particular, envolver todos/as aqueles/as que vivem no dia-a-dia a discriminação”.

“No contexto atual, ficar em casa e evitar o contacto social é a principal orientação para controlar a expansão do Covid-19 e para proteger todas e todos. São circunstâncias difíceis para cada um e cada uma, sem exceção. Se esta situação nos deve unir, não deve ao mesmo tempo fazer-nos esquecer aquilo em que ainda não somos iguais”, sublinham os ativistas antirracistas, lembrando que “é também tempo de relembrar que os/as mais vulneráveis serão também os/as mais atingidos/as no contexto desta pandemia”.

“É, por isso, impossível olhar para o cenário atual sem considerar a desigualdade étnico-racial”, acrescentam.

No Manifesto da campanha #AMinhaLutaNãoFazQuarentena é assinalado que “Portugal continua a ser palco de desigualdades múltiplas, as quais afetam sobretudo grupos socialmente vulneráveis”, sendo que “vários trabalhos e relatórios técnicos e científicos têm sistematizado formas múltiplas de desigualdade, no acesso à saúde e educação, à habitação, à profissão, na precariedade face ao trabalho e no risco de desemprego, na pobreza desproporcional, passando ainda pela desproteção face à justiça”.

“Acresce ainda uma desproteção inequívoca e generalizada dos direitos inalienáveis à dignidade, à honra, à segurança individual e coletiva (e.g., violência policial), à autodeterminação e à identidade”, sublinham ainda os ativistas antirracistas, que avançam que “a multiplicação e interseccionalidade destas condições cria efeitos cumulativos de vulnerabilidade que configuram riscos de uma segregação e de exclusão social inaceitáveis e, por vezes, quase inultrapassáveis”.

Certo é ainda que “quando a estas pertenças se somam outras, como a orientação sexual e identidade e/ou expressão de género e/ou a diversidade funcional, a vulnerabilidade e o risco acentuam-se”, continuam.

Os signatários do Manifesto consideram que, “além de uma violação de direitos que não podemos tolerar numa sociedade que se quer justa e igualitária, acresce ainda que este sistema invisível e estrutural de segregação social mantém várias comunidades afastadas do espaço social e cultural, da produção de conhecimento e da participação política, com prejuízos não só para as próprias, mas para todos e todas”.

Neste contexto, defendem que “este debate não pode fazer-se sem se considerar os dados que permitem caracterizar o panorama nacional em relação às condições de vida de grupos e comunidades racializadas”.

A campanha #AMinhaLutaNãoFazQuarentena é “uma tomada de posição que pretende ser um ponto de partida para o trabalho coletivo e plural”, trabalho esse que se deseja “transversal a toda a sociedade, mas no qual se pretende, em particular, envolver todos/as aqueles/as que vivem no dia-a-dia a discriminação”.

Os promotores do Manifesto #AMinhaLutaNãoFazQuarentena convidam “todos e todas que se identificam com a luta antirracista a que se apropriem desta hashtag, para partilharem reflexões, propostas de medidas, testemunhos e todos os conteúdos que nestes dias, como nos que virão, nos permitam seguir efetivamente unidos e unidas no caminho de uma sociedade igualitária e diversa”.

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