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Juíza retira filho à mãe por viver na "Galiza profunda"

Uma sentença judicial determinou que uma criança fosse entregue ao pai e não à mãe porque vive em Muros, na “Galiza profunda” e não na “cosmopolita” Marbelha. Parlamento galego rejeitou a expressão para qualquer aldeia, paróquia, povo ou cidade galega.
Muros - Foto de Mino Andrade | Flickr

O acórdão, divulgado pelo jornal galego A Voz de Galícia e citado pelo Jornal de Notícias, revela que uma juíza de Marbelha, na Andaluzia, decidiu que uma criança, de um ano, ficasse à guarda do pai em vez da mãe porque esta vive na “Galiza profunda”, mais especificamente em Muros, enquanto o pai reside da “cosmopolita” Marbelha.

No documento pode ler-se que a cidade do sul de Espanha “oferece múltiplas possibilidades para o bom desenvolvimento da personalidade de uma criança e para que ela cresça em um ambiente feliz”. Mas no entender da juíza, estas condições não existem em Muros, onde reside a mãe, porque está “longe de tudo” e sem opções de trabalho.

Muros é uma pequena vila piscatória da Galiza, que fica a cerca de 60 quilómetros de Santiago de Compostela.

A advogada da mãe da criança, Cláudia Traba Santos, refere que a expressão no acórdão é um “absoluto desprezo” e é “discriminatória contra a Galiza e o seu meio rural”. Considera-a como “insultuosa, arcaica e injusta e tão impertinente como imprópria de quem se supõe que deve administrar a Justiça em nome do Estado”.

Cláudia Traba Santos sublinhou que “vamos pedir a anulação pois entendemos que o juiz não agiu com imparcialidade. O que este juiz fez foi discriminar o nosso cliente e insultar o rural da Galiza”.

“É evidente que (o juiz) tem uma série de preconceitos contra a Galiza e preconceitos contra o nosso cliente. Procuramos apenas um juiz, ou um juiz imparcial, nada mais”, refere a advogada.

O Parlamento da Galiza rejeitou, esta terça-feira, por unanimidade a expressão “Galiza profunda” para qualquer aldeia, paróquia, povo ou cidade galega, segundo o Nós Diário. A declaração apresentada pelo Bloco Nacionalista Galego (BNG) e apoiada por todos os partidos representados (BNG, PP e PSdeG) refere que “este qualificativo implica uma valorização pejorativa e injustificadamente negativa do país, que resulta inadmissível em qualquer contexto, mas mais ainda numa resolução judicial”.

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