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Jovens têm dificuldade em filtrar informação online

Estudo indica que jovens portugueses têm dificuldade em filtrar a informação online. Condições socioeconómicas das famílias e acesso a um computador e internet em casa são dos principais fatores de desigualdade na literacia digital.
Jovens têm dificuldade em filtrar informação online
Foto de Paulete Matos.

Em Portugal, os jovens têm dificuldade em perceber se a informação a que acedem online é ou não fiável. De acordo com dados de um estudo internacional, quase metade dos alunos que frequentam o 8º ano de escolaridade só conseguem executar “tarefas elementares” de recolha e gestão de informação.

Os dados são da 2ª edição do Internacional Computer and Information Literacy (ICILS) aos quais a agência Lusa teve acesso. O estudo testou os conhecimentos de mais de 46 mil jovens estudantes de um total de 12 países a frequentar dois sistemas educativos. Em Portugal, foram cerca de três mil os estudantes inquiridos de um universo de 215 escolas. Nele foram avaliadas duas áreas: Literacia em Computadores e Informação (CIL) e Pensamento Computacional (CT).

Segundo as conclusões, apenas 1% dos jovens em Portugal conseguiram identificar a informação mais relevante e avaliar a utilidade e fiabilidade da mesma. Do universo total de 46 mil alunos, apenas 2% provaram conseguir aceder à informação online de uma forma crítica.

O estudo questiona-se sobre a preparação dos jovens para estudar e trabalhar num “mundo digital”. Nos resultados de Portugal, somente 20% dos jovens mostraram conseguir trabalhar com computadores de forma independente. 46% dos alunos maioritariamente com idades entre os 13 e 14 anos “precisam de ajuda” para investigar, criar ou comunicar através de um computador. 7% só conseguem executar as tarefas mais simples num computador, valor abaixo dos 18% no universo total estudado.

A maioria dos alunos inquiridos indicou ter sido na escola que aprenderam a procurar informação na internet e a filtrar os conteúdos credíveis ou relevantes para incluir nos seus trabalhos. Face aos resultados, os coordenadores do estudo defendem que é preciso ir além da garantia de que os alunos têm acesso aos computadores e à internet, ensinando-os a trabalhar com os mesmos.

Por último, os resultados indicam também que as condições socioeconómicas dos estudantes e suas famílias, os anos de experiência de utilização de computadores e o acesso a computadores e à internet em casa são determinantes nos resultados finais, com os alunos das camadas sociais mais pobres em situação de desvantagem face aos seus colegas. Os alunos filhos de pais com formação superior obtiveram melhores resultados que os seus colegas, bem como aqueles que têm pelo menos 26 livros em casa.

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