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Jovem que matou manifestantes antirracistas em Kenosha absolvido de todas as acusações

Júri de Wisconsin considerou que Kyle Rittenhouse agiu em legítima defesa. Família das vítimas garantem que continuarão a lutar para que nem Rittenhouse nem a polícia de Kenosha que autorizou a sua violência sangrenta escapem da justiça. Decisão do tribunal está a gerar forte contestação.
Captação de imagem de vídeo.

Kyle Rittenhouse alegou que disparou contra três homens, dois deles fatalmente, em autodefesa durante um protesto antirracista em 2020. Joseph Rosenbaum, 36, e Anthony Huber, 26, foram baleados e mortos, enquanto Gaige Grosskreutz, de 27 anos, foi ferido.

Os pais de Huber, Karen Bloom e John Huber, citados pela ABC News, disseram que estão "com o coração partido e zangados" com a absolvição.

As vítimas fatais, Anthony Huber, 26, e Joseph Rosenbaum, 36.

 

"O veredicto de hoje significa que não há responsabilização da pessoa que assassinou o nosso filho", afirmam em comunicado. “Envia a mensagem inaceitável de que civis armados podem aparecer em qualquer cidade, incitar a violência e, então, usar o perigo que criaram para justificar disparar contra pessoas na rua”, continuam.

"Nenhuma pessoa sensata ao ver todas as evidências poderia concluir que Rittenhouse agiu em legítima defesa", defendem. "Rittenhouse veio para Kenosha armado para matar. A polícia de Kenosha encorajou-o a agir com violência, e o nosso filho está morto como resultado", realçam. Os familiares de Huber prometeram que continuarão a lutar com toda a força para “responsabilizar os responsáveis ​​pela morte de Anthony”. “Nem Rittenhouse nem a polícia de Kenosha que autorizou a sua violência sangrenta escaparão da justiça", garantem.

Joe Biden reagiu em comunicado, sublinhando que, "embora o veredicto de Kenosha deixe muitos americanos zangados e preocupados, eu inclusive, devemos reconhecer que o júri falou". E continuou: "Continuo firme no meu compromisso de fazer tudo ao meu alcance para garantir que cada americano seja tratado com igualdade, justiça e dignidade, de acordo com a lei".

As manifestações em Kenosha eclodiram em agosto de 2020, após um polícia ter disparado contra Jacob Blake, um homem negro de 29 anos. Nessa altura, milícias e "patriotas" armados chegaram à cidade para enfrentar os manifestantes.

O caso dos promotores integrava vários vídeos que mostram Rittenhouse a disparar contra o desarmado Rosenbaum, bem como em Huber, que supostamente o atingiu com um skate duas vezes. O vídeo também capturou Rittenhouse a atirar em Grosskreutz.

Shaadie Ali, diretora executiva interina da American Civil Liberties Union de Wisconsin, disse em comunicado: "Os milicianos brancos foram recebidos de braços abertos nos protestos de Kenosha, [enquanto] os manifestantes, muitos dos quais eram negros, não foram protegidos e foram tratados como se fossem o inimigo".

“Precisamos de um sistema de segurança pública que proteja a vida de toda a comunidade”, destacou Ali, avançando que “o julgamento de Rittenhouse destaca uma necessidade urgente de reforma tanto para a polícia quanto para o sistema jurídico penal”.

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