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José Gusmão: “Em 2019, um economista que não pense verde não está a pensar bem”

Em entrevista ao Público, o recém-eleito eurodeputado bloquista afirmou que quer defender outra política fiscal e medidas económicas que respondam aos desafios ambientais.
José Gusmão, eurodeputado bloquista. Foto de Paula Nunes.
José Gusmão, eurodeputado bloquista. Foto de Paula Nunes.

Afirmando-se europeísta, internacionalista, mas crítico do projeto europeu, José Gusmão afirmou que “há muitos aspetos que não estão a funcionar. E não se deve ter medo de falar de recuperação de políticas soberanas". 

Acho que uma União Europeia (UE) que funcione precisa de uma revisão dos tratados”, defendeu o economista, assumindo que esta “é uma empreitada politicamente dificílima”.

O eurodeputado bloquista espera que exista “um consenso para alterar algumas regras existentes, o que significa alguns países prescindirem de privilégios que ganharam com o euro”.

“Se isso não acontecer, acho que a UE não se safa. Se acontecer, acho que terá de partir de uma coligação das economias periféricas para rejeitar o atual estado de coisas”, alerta.

José Gusmão afirmou ainda que “a UE hoje tem muito mais a ver com o livre comércio e com a livre circulação de capitais do que com a livre circulação de pessoas, em que as restrições vão crescendo”.

O dirigente do Bloco sinaliza que são necessárias mudanças para que “as pessoas voltem a ver a UE não como um conjunto de instituições cuja função é meter medo”, com “sanções, ultimatos e programas de ajustamento”.

“O projeto europeu tem de ser visto como qualquer coisa que nos dá mais força para construir direitos e elaborar respostas para problemas que não podem ser resolvidos à escala nacional”, rematou.

Nas europeias de 2019, o Bloco de Esquerda afirmou-se como a terceira força política mais votada, duplicou o número de mandatos (elegendo Marisa Matias e José Gusmão) e passou de 4,56% para 9,82%. 

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