Está aqui

Jornalistas da RDP: “não é sério dizer que há um serviço público de rádio”

De acordo com os jornalistas, a falta de profissionais e de meios técnicos está a deteriorar a qualidade da informação produzida pela rádio pública.
Fotografia de Paulete Matos

Os jornalistas que representam o Conselho de Redacção (CR) da rádio de serviço público escreveram a Graça Fonseca pedindo-lhe que interviesse para “salvar o serviço público de rádio”. Na mesma carta, pediram à ministra da Cultura não se limitasse ao papel de mais uma governante que “encolheu os ombros e nada fez perante uma realidade [de crise grave] que já não consegue ser disfarçada”.

O CR afirma ainda que, mesmo depois da “verdadeira sangria de jornalistas” durante os anos da troika, a redacão continuou a “encolher”, por “descontentamento com as condições de trabalho e a falta de perspectivas futuras”. Perante isto, e ainda de acordo com o CR, a administração teima em não reforçar os quadros da rádio.

Os representantes afirmam ainda que a área técnica também passa por grandes dificuldades:“Debatemo-nos diariamente com problemas técnicos e falta de material, resultado do fraco investimento nas condições de emissão radiofónica. Os estúdios estão obsoletos e a própria construção dos actuais não teve em conta todas as necessidades de quem lá trabalha diariamente; os equipamentos técnicos falham com frequência e as prometidas melhorias nunca chegam.”

Por isso, questionam: “O Estado português e o Governo querem ter, de facto, um serviço público de rádio com uma indispensável e forte componente de informação, que corresponda aos expectáveis padrões de excelência de um verdadeiro serviço público, ou a intenção é ir deixando definhar a rádio até que a sua existência seja considerada irrelevante?”; “O Estado português e o Governo querem continuar a fazer de conta que esse serviço público existe, ou querem reverter todo este caos e mudar o rumo seguido nos últimos anos?”

Num plenário ocorrido há cerca de seis semanas, os jornalistas da RDP fizeram um plenátio em que manifestaram insatisfação quanto à escassez de recursos e reclaram melhores condições junto da administração. Contudo, queixam-se de falta de mudanças, acrescentando ainda que a forma de trabalhar da redação é de tal forma problemática que “já não é sério dizer às pessoas que existe, de facto, um serviço público de rádio”.

Termos relacionados Sociedade
(...)