De acordo com o Jornal do Centro, “dois repórteres foram impedidos de fazer o seu trabalho pelos estudantes”.
“Quando questionados, os alunos insultaram, ameaçaram e dirigiram palavrões para a equipa. Apesar da autorização que chegou por parte da direção da escola, os estudantes mantiveram a sua atitude intimidatória”, escreve o jornal.
Enquanto decorria o evento no interior da escola, no exterior várias dezenas de ativistas manifestaram-se em silêncio contra a garraiada. A iniciativa foi reportada pelo Jornal do Centro sem quaisquer incidentes.
Em comunicado conjunto, o Grupo Trabalho Pela Defesa do Direitos dos Animais do Bloco de Esquerda e a Viseu Animal Save saúdam “o apoio das dezenas de activistas que participaram nesta vigília, pessoas de diversas áreas estudantis e profissionais, incluindo estudantes de Medicina Veterinária e de Enfermagem Veterinária, em especial aos apoiantes que se fizeram representar de Braga, Porto, Vila Real e Bragança”.
Por outro lado, os organizadores da vigília, que contou ainda com o apoio da Juventude Socialista, Porto Animal Save, Braga Animal Save, VeganHood, Acção Directa Norte de Portugal e Acção Directa Lisboa, repudiam “vivamente a atitude de alguns alunos que insultaram e ameaçaram os jornalistas do Jornal do Centro, que cobriram democraticamente os dois acontecimentos (garraiada e vigília), colocando em causa a liberdade de imprensa”.
O Grupo Trabalho Pela Defesa do Direitos dos Animais do Bloco de Esquerda e a Viseu Animal Save veem “com tristeza e incompreensão” a permissão que a Escola Superior Agrária de Viseu e o Instituto Politécnico de Viseu atribuem para a realização deste evento dentro da instituição.
“Lembramos que noutros locais do país, eventos idênticos foram negados dentro dos estabelecimentos públicos de ensino”, escrevem.
No documento é ainda repudiada a aprovação em reunião de Câmara Municipal da isenção de taxas aplicadas à realização deste evento, com os votos favoráveis de todos os vereadores do PSD.
“É impensável que a maioria das organizações de eventos de interesse e cariz cultural desta cidade sejam obrigadas a pagar todas as taxas e que um evento de violência e entretenimento com animais seja isentado”, sublinham.
O Grupo de Trabalho pela Defesa dos Direitos dos Animais de Viseu do Bloco de Esquerda e o Viseu Animal Save lamentam “profundamente que a questão dos direitos dos animais não-humanos insista em ser banalizada e ignorada, contrariando a tendência mundial do reconhecimento dos seus direitos como seres sencientes” e apelam à Câmara Municipal de Viseu, às direções da ESAV, IPV, Associação de Estudantes da ESAV e à Associação Académica do Instituto Politécnico de Viseu “que revejam as suas posições face à continuidade deste evento numa instituição, cidade e sociedade que não se querem reféns de práticas de reprodução de uma cultura de violência”.
Na véspera da 17ª edição da Monumental Garraiada da Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV), o Jornal do Centro organizou um debate sobre a garraiada que foi emitido em direto na rádio e no facebook. Estiveram presentes Tiago Santos, presidente da Associação de Estudantes da ESAV; Mauro Pinto, presidente da Associação Académica do Instituto Politécnico de Viseu; Diego Garcia, representante do Bloco de Esquerda (BE); e, Ana Costa, representante da Viseu Animal Save.