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Jornais americanos unem-se contra hostilidade de Trump

Foram mais de cem os jornais que responderam ao apelo do The Boston Globe e publicaram hoje editoriais onde condenam explicitamente os ataque que o Presidente dos Estados Unidos da América tem dirigido à comunicação social.
Jornais americanos unem-se contra hostilidade de Trump
Título do editorial do The Boston Globe de 16 de agosto.

Foram mais de 100 os jornais dos Estados Unidos da América que responderam ao apelo do The Boston Globe e publicaram editoriais contra os ataques de Donald Trump à imprensa. O Presidente dos Estados Unidos teve uma campanha e atual mandato marcados pelos ataques à comunicação social, tendo-lhe chamado de “o inimigo do povo norte-americano”.

O jornal premiado com vários Pulitzer tinha lançado no início do mês de agosto um apelo dirigido aos media de todo o país para publicarem no dia 16 do mesmo mês editoriais que denunciem o que apelida de “guerra suja contra a liberdade de imprensa”. Segundo a agência Lusa, esta iniciativa de criar uma frente comum para desarmar a hostil retórica de Trump juntou mais de 100 jornais do país, incluindo grandes títulos como The Houston Chronicle, Minneapolis Star Tribune, Miami Herald e Denver Post. Numa carta enviada a centenas de publicações dos Estados Unidos, o Boston Globe tinha proposto a publicação de um editorial no dia 16 de agosto “sobre os perigos do ataque do Governo à imprensa” e em defesa da liberdade de expressão, protegida no país pela primeira emenda da Constituição.

A editora-adjunta da página editorial do Boston Globe, Marjorie Pritchard, disse à CNN que “a resposta foi avassaladora” e que, embora inclua alguns grandes jornais, a maioria é de mercados mais pequenos. Esta resposta conjunta surge uma semana após o mais recente ataque de Trump à imprensa.

“As [empresas de] notícias falsas odeiam que eu diga que são o Inimigo do Povo só porque sabem que é VERDADE. Eu estou a prestar um grande serviço ao explicar isto ao povo americano”, escreveu o chefe de Estado na sua conta no Twitter.

“[Os ‘media’] causam grande divisão e desconfiança de propósito. Também podem causar uma guerra! São muito perigosos e doentes!”, acrescentou.

“As nossas palavras serão diferentes. Mas ao menos conseguimos concordar que ataques deste género são alarmantes”, pôde ler-se na carta que apelava à ação editorial dos jornais estado-unidenses, tivessem estes posicionamentos políticos à esquerda ou à direita, críticos ou favoráveis à administração do atual Presidente.

Esta decisão foi motivada pelos constantes ataques de Trump à imprensa, mas surgiu na sequência das suas declarações num comício a 2 de agosto, quando afirmou que os media eram uma origem de “fake news nojentas”.

As constantes referências ofensivas de Trump à imprensa despertaram preocupação em várias organizações internacionais, como a ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que expressaram numa declaração conjunta o seu desconcerto e alertaram para o perigo que tais críticas representam. Por sua vez, o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, declarou que as agressões verbais do Presidente norte-americano “se estão a aproximar muito da incitação à violência”, noticia a agência Lusa.

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