O número de jatos particulares a partir e chegar aos aeroportos portugueses nunca foi tão elevado como em 2022. O número de voos até outubro superou o total do ano passado e do período pré-pandemia, revela a edição desta sexta-feira do semanário Expresso.
Segundo os dados divulgados pelo jornal e confirmados pela NAV, houve até outubro deste ano 18.838 movimentos de aviões particulares. São fretados por milionários, quadros de grandes empresas ou estrelas do mundo do futebol, que assim escapam às filas dos aeroportos. Mas também há notícias de quem os prefira por estarem sujeitos a regras de segurança menos apertadas, como é o caso dos narcotraficantes.
No ano passado, o Algarve foi a origem e destino mais usados, com 2.678 movimentos, seguindo-se Lisboa com 1.878, Cascais com 1.465 e Porto com 1.295. Segundo o Expresso, o aumento do uso destes jatos privados aumentou desde a criação dos vistos gold e os principais utilizadores deste meio de transporte têm nacionalidade brasileira.
Em novembro, o Bloco agendou no Parlamento o debate da proposta para restringir estes voos nos aeroportos portugueses por serem, nas palavras de Pedro Filipe Soares, um "capricho dos super-ricos com um enorme custo ambiental". No debate, o líder parlamentar bloquista lebrou que "uma viagem em jato privado é 10 vezes mais intensiva em termos energéticos que num avião comercial e 50 vezes mais intensiva que num comboio". A proposta vai em linha com o que está a ser discutido noutros países europeus, mas acabou chumbada pelo PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal, com a abstenção do PCP.
No debate orçamental, o PS aprovou uma proposta do PAN para aplicar a taxa de carbono aos jatos privados a partir de julho. Para Pedro Filipe Soares, "não é a ideia do poluidor-pagador que resolve esta questão", dado que "quem tem milhares de milhões de euros não é por mais umas centenas de euros que deixa de usar um jato privado".