Em declarações à RTP, o presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse esta quarta-feira que o montante da dívida da Madeira “já se sabe qual é”, afirmando que o seu valor é “perto do valor de um orçamento regional”. Para Jardim, “a estratégia é darem os números às pinguinhas e vai ser assim durante o mês de Setembro”.
Para Roberto Almada, do Bloco de Esquerda da Madeira, “se o que Jardim é verdade, então o buraco é muito maior do que foi divulgado hoje, na verdade é quase o triplo”. O Bloco de Esquerda daquela região autónoma vai entregar na Comissão Permanente da Assembleia Regional um requerimento pedindo explicações sobre o montante real da dívida da Madeira.
Jardim disse ainda que “o que se está a passar é aquilo para que eu já avisei o povo madeirense. É mobilizar-se a comunicação social do continente, mobilizar-se agora até, neste caso, sectores da União Europeia que são afectos à Internacional Socialista e que estão a trabalhar neste grupo da troika. A maçonaria mobilizou tudo quanto podia em termos de utilizar este período para atacar a Madeira”, disse.
O Diário de Notícias desta quarta informou que aos 277 milhões de euros de derrapagem estimados em meados de Agosto pela troika nas contas da Madeira, somam-se 223 milhões, devido a dívidas da empresa Estradas da Madeira e à extinção de uma sociedade que promovia obras rodoviárias em regime de parceria público-privada. Estes dois casos serão responsáveis por um desvio nas contas nacionais de 0,3% do PIB. No total, o buraco das contas seria de 500 milhões. Jardim vem agora dizer que é maior.
Em Madrid, o primeiro-ministro, Passos Coelho, disse que "não existe nenhuma notícia nova” e assegurou que “no processo que foi detectado de desvio de cerca de 2.000 mil milhões de euros no primeiro semestre conta-se cerca de 500 milhões de euros com origem em duas operações na Madeira". O governo já podia saber, mas esses dados não eram públicos.
A Comissão Europeia confirmou os "deslizes" nas contas públicas da Madeira e reclamou uma melhor monitorização para prevenir novas derrapagens. Em declarações à Lusa, o porta-voz da Comissão responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários, Amadeu Altafaj Tardio, confirmou a notícia do Diário de Notícias.
O défice do país corre assim o risco de superar os 6% em vez dos 5,9% apontados para este ano.