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Jamor - da capa da TIME para o Betão

No fim de 2019, a capa da TIME colocava a Cruz Quebrada no centro das atenções do mundo, como cenário de ar mágico para abrigar Greta Thunberg, ativista nomeada ao Nobel da Paz. Ironicamente, a Câmara insiste em permitir que todo o ecossistema seja jogado fora para dar lugar a mais betão. Por Abel Rodrigues
Greta Thunberg foi fotografada na Praia da Cruz Quebrada para a capa da Time.
Greta Thunberg foi fotografada na Praia da Cruz Quebrada para a capa da Time.

Que Oeiras já é internacional, todo o mundo sabe. Desde o nome gourmet Valley até a presença das gigantes tecnológicas, passando pela tão aclamada mais alta taxa de licenciados do país até o alto PIB per Capita, às placas de Welcome e tudo e mais alguma coisa escrita em inglês pelo concelho, ou melhor, around the valley, não nos deixam dúvidas dessa internacionalização.

No fim de 2019, a capa da TIME colocava a Cruz Quebrada no centro das atenções do mundo, como cenário de ar mágico para abrigar a indicada ao Nobel da Paz, a ativista Greta Thunberg. Aquele lugar, aqui mesmo em Oeiras, viria a inspirar milhares de ativistas climáticos ao redor do mundo.

Ironicamente, o símbolo da TIME junto de Greta para o ativismo climático está altamente ameaçado pelo abandono da Câmara, que insiste em permitir que todo o ecossistema seja jogado fora para dar lugar a mais betão em um projeto urbanístico chamado “Porto Cruz”, que em nada beneficiará a população do concelho.

Projeto imobiliário Porto Cruz - Câmara de Oeiras
Projeto imobiliário Porto Cruz - Câmara de Oeiras

Oeiras Valley, o Silicon Valley de Portugal, parece ter-se perdido na busca pela modernidade. As políticas públicas da Câmara devem ser direcionadas para garantir conforto e bem-estar, além de justiça social, para os seus munícipes, e não direcionadas em transformar o concelho no modelo falho que é o Vale do Silício, muito menos recorrer a megalomanias ao estilo Dubai.

Propomos à Câmara que foque na revitalização da praia, na sua preservação, para aumentar o conforto e bem estar dos munícipes, ao invés de querer transformar a costa de Oeiras num deserto de betão. Modernidade é reconhecer a importância dos nossos ecossistemas, e fazer políticas que estejam alinhadas aos compromissos globais da luta climática.

O nosso concelho pode e deve ser um exemplo na proteção das áreas verdes do município, que muito mais têm a oferecer do que estruturas artificiais que destroem a paisagem e tiram opções de lazer. Essa deve ser a marca de modernidade que o concelho deve seguir, a do bom senso, a da sustentabilidade. Um concelho verde, sustentável, para todas, e para todos.

Abel Fernando Barros Rodrigues, militante do Bloco de Esquerda e da Greve Climática Estudantil

Artigo publicado originalmente em Público P3 a 11 de fevereiro de 2021

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