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Jair Bolsonaro estará ligado a grupo de propagação de fake news

A acusação veio de uma ex-aliada de Bolsonaro e ex líder do Governo no Congresso brasileiro, Joice Hasselmann. A deputada falou num “grupo de ódio” que organizava ataques cibernéticos e que era coordenado pelos filhos do Presidente.
Jair Bolsonaro estará ligado a grupo de propagação de fake news
Jair Bolsonaro. Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

Jair Bolsonaro estará ligado a um grupo de distribuição de fake news (notícias falsas) que funcionada na sede da Presidência. A acusação é feita por Joice Hasselmann, ex líder do Governo de Bolsonaro no Congresso brasileiro.

Joice Hasselmann prestou depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) às 'fake news', instaurada pelo Congresso brasileiro. Na audição, falou sobre a existência de um grupo que, de acordo com a deputada, ficou conhecido como "gabinete do ódio”. Hasselmann afirma que o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do presidente brasileiro, eram os responsáveis pelo grupo.

"Qualquer pessoa que eventualmente discorde [da família Bolsonaro] entra como inimigo da milícia", disse Hasselmann, acrescentando que o grupo atua com uma estratégia bem definida e organizada, começando com uma lista de pessoas consideradas "traidoras" e que são escolhidas como alvo dos ataques cibernéticos.

"Escolhe-se um alvo. Combina-se um ataque e há, inclusive, um calendário de quem ataca e quando. E, quando esse alvo está escolhido, entram as pessoas e os robôs. É por isso que, em questão de minutos, temos uma informação espalhada para o Brasil inteiro", afirmou a deputada na apresentação que fez sobre o esquema de criação e difusão de notícias falsas na internet. Segundo esta, a propagação destas notícias custaram cerca de 500 mil reais (107 mil euros) aos cofres públicos.

De acordo com a agência Lusa, a ex aliada de Bolsonaro apresentou como provas partes de conversas na aplicação de troca de mensagens Whatsapp que afirmam serem do "gabinete do ódio”. Nelas era possível ler as orientações sobre os procedimentos a tomar.

A deputada vai mais longe e afirma que Carlos Bolsonaro propôs a criação de uma “Abin paralela” no Governo. A Abin é a Agência Brasileira de Inteligência do país, e esta “Abin paralela” funcionaria como um órgão clandestino que incluiria a instalação de escutas telefónicas. 

"Essas informações foram-me passadas. É óbvio que vou preservar a fonte. Eu não faço parte desse grupo, demorei para conseguir essas informações, porque é muito sigiloso, mas até algumas pessoas que fazem parte entendem que todos os limites foram estourados", referiu a deputada na CPMI.

A Lusa noticia que Jair Bolsonaro foi confrontado com estas acusações e que as negou de imediato. "Há zero chances [da existência do grupo]. Inventaram o gabinete do ódio e alguns idiotas acreditaram. Outros idiotas vão até prestar depoimentos, como está agora um idiota a prestar depoimento agora", respondeu o Presidente do Brasil à imprensa local. 

Joice Hasselmann era uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro dentro do Partido Social Liberal (PSL). Após uma crise dentro do partido, ela foi destituída do cargo de representante do Governo no Congresso. Na sequência dessa crise, Jair Bolsonaro desfiliou-se do partido pelo qual tinha concorrido às presidenciais de 2018 e anunciou a criação de um novo partido: Aliança pelo Brasil. 

O WhatsApp admitiu no passado mês de outubro que se registaram, durante as eleições presidenciais brasileiras, o envio de mensagens em massa através de sistemas automatizados contratados por empresas. Segundo o jornal A Folha de São Paulo, empresários apoiantes de Jair Bolsonaro terem pago pelo envio de mensagens em massa contra o PT e o seu candidato Fernando Haddad.

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