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Já desapareceram 83 mil empregos com a pandemia em Portugal

A maioria dos postos de trabalho destruídos entre os meses de fevereiro e setembro pertenciam a trabalhadores com menos de 25 anos. Segundo o INE, o setor dos serviços é o menos otimista face à possibilidade de criação de emprego nos próximos três meses.
Já desapareceram 83 mil empregos com a pandemia
Fotografia de Paulete Matos.

Entre os meses de fevereiro e setembro, a economia portuguesa perdeu 83,3 mil postos de trabalho. Praticamente metade, 41,6 mil, pertenciam a trabalhadores com menos de 25 anos. Os dados de setembro são ainda provisórios, o que significa que o número de empregos que desapareceram pode ser ainda maior.

Segundo notícia do Diário de Notícias/Dinheiro Vivo feita a partir de dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os indicadores atualmente disponíveis apontam para um impacto económico da pandemia maior que o inicialmente previsto. A estes valores deverão somar-se os dos restantes meses do ano, podendo piorar ainda mais os indicadores do mercado de trabalho.

Em agosto, o ritmo de destruição de postos de trabalho foi de 2,9% face ao mesmo mês do ano passado. Em setembro, os valores provisórios apontam para que a redução tenha chegado a 2,3%. Portugal tem agora cerca de 4,7 milhões de pessoas empregadas. Há um ano (setembro de 2019) tinha quase 4,9 milhões, segundo mostra o INE.

Num outro estudo, também divulgado pelo INE, o inquérito de conjuntura às empresas e aos consumidores relativo a outubro, a maioria dos empresários ouvidos até estavam a ficar menos pessimistas quanto à possibilidade de contratação e de criação de emprego nos próximos três meses. Entre os empresários, o inquérito foi conduzido entre os dias 1 e 23 de outubro.

A exceção a este otimisto era o setor dos serviços, o setor responsável pela maioria dos empregos. A maioria dos empresários inquiridos estava pessimista em relação à criação de mais postos de trabalho.

Com o fim do verão e a chegada de uma segunda vaga da pandemia, setores de atividade como a restauração e o alojamento voltaram aos baixos níveis registados em maio.

Segundo o INE, nestes inquéritos, os serviços representam 37,4% do Valor Acrescentado Bruto (criação de riqueza), a indústria vale 14,2%, o comércio vale 13,3% e a construção e obras públicas abrange 4,2%. Ou seja, este inquérito revela a opinião de empresários que no seu conjunto representam quase 70% da economia portuguesa.

Mas até setembro o panorama laboral dava sinais de estar a melhorar. Em agosto, "a população desempregada aumentou 2,6% em relação a julho de 2020, 43% relativamente a maio do mesmo ano e 24,8% por comparação com agosto de 2019", explica o INE. Já em agosto, apesar da situação desfavorável, os dados provisórios mostravam uma suavização no desemprego.

De acordo com o mesmo relatório, "a população desempregada diminuiu 3,7% em relação a agosto de 2020 e aumentou 7,7% relativamente a junho do mesmo ano e 17,1% por comparação com setembro de 2019".

Ou seja, a taxa de desemprego estava 0,4 pontos percentuais (p.p.) abaixo do mês anterior e mais 0,4 p.p. que há três meses. Portugal tinha assim mais de 414 mil desempregados em agosto, número que baixou para cerca de 399 mil em setembro (dados provisórios e ajustados da sazonalidade).

Entre estes, quase metade eram trabalhadores com menos de 25 anos. Apesar de tudo, também este valor era inferior aos meses anteriores, pois no final da primeira vaga da pandemia eram 88 mil os trabalhadores jovens no desemprego.

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