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Itália: Uber Eats condenada por exploração e colocada sob administração judicial

Cerca de mil contratos foram investigados e os procuradores falam em condições próximas da escravatura. A multinacional não se conseguiu impor no setor do transporte em Itália e enfrenta agora problemas no setor da distribuição de refeições.
Trabalhadores da Uber Eats em Milão. Fevereiro de 2020. Foto de Kattel Ar Gow/Flickr.
Trabalhadores da Uber Eats em Milão. Fevereiro de 2020. Foto de Kattel Ar Gow/Flickr.

“Caporalato”, um termo que é sinónimo de exploração e que significa que um intermediário contrata trabalhadores negando-lhes os direitos básicos. Outrora regra nos campos de Itália, agora concentra-se sobretudo nas máfias que controlam o trabalho, agrícola ou na construção civil, de migrantes.

Mas não só. “Caporalato” foi a expressão utilizada nesta sexta-feira por um tribunal de Milão na sentença que ditou que um administrador judicial ficasse a supervisionar por um ano a Uber Itália. Em causa estão, em particular, cerca de mil contratos, a esmagadora maioria de migrantes com vistos temporários que, de acordo com o procurador que conduziu o processo, trabalham em “condições no limite da escravatura”, recebendo três euros por hora.

A Uber Eats pagava a duas empresas de recrutamento somas muito mais elevadas do que estas para que estas gerissem a mão-de-obra. Segundo a agência informativa ANSA, uma destas empresas e quatro pessoas estão também a ser investigados judicialmente.

Da acusação fazem ainda parte o roubo das gorjetas pagas pelos clientes por parte da Uber Eats e o não descontar para impostos e segurança social.

Este não é o primeiro dissabor de uma empresa que, no setor dos transportes, só é autorizada a oferecer o seu serviço de luxo, o Uber Black, devido à pressão dos taxistas.

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