Não é a primeira vez navios de guerra ao serviço da NATO na agressão contra a Líbia são acusados de se recusar a socorrer refugiados provocados por essa mesma guerra. Também não é a primeira vez que a NATO desmente as acusações afirmando que os comandantes da frota de agressão estão “cientes” dos seus “compromissos perante o direito internacional”. A versão voltou a ser divulgada pelo porta voz da aliança em Nápoles, David Taylor.
A NATO foi anteriormente acusada de ter deixado à sua sorte um barco com centenas de refugiados perdidos nas águas mediterrânicas em circunstâncias nas quais era impossível não ter sido visto. Um helicóptero da aliança chegou a sobrevoar a embarcação, distribuiu alguns víveres e água e desapareceu sem que mais nada acontecesse.
Desta feita, a Itália, país da NATO, assume a acusação directa à Aliança, cujos navios se terão abstido de socorrer um barco que esteve uma semana à deriva no Mediterrâneo antes de conseguir alcançar Lampedusa na sexta-feira. Um passageiro, de nacionalidade marroquina, explicou que a bordo chegaram a estar 300 refugiados, mas que cerca de uma centena, sobretudo mulheres, morreram de fome e sede vendo-se os restantes passageiros na necessidade de lançar os cadáveres ao mar.
Franco Frattini, ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, propôs o alargamento do mandato das Nações Unidas sobre a Líbia à obrigação de os navios da NATO socorrerem os refugiados. Além disso, pediu um inquérito oficial aos acontecimentos.
Há semanas que a Itália contesta comportamentos da NATO na Líbia, uma intervenção que o primeiro ministro, Silvio Berlusconi, declarou recentemente não ser do seu agrado.
O tráfego de refugiados da Líbia está actualmente nas mãos de redes mafiosas que têm o seu espaço de intervenção na cidade de Benghazi, zona controlada pelo Conselho Nacional de Transição reconhecido como legítimo representante da Líbia pelos Estados Unidos e numerosos países da União Europeia, entre os quais Portugal.
Artigo publicado no site do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu