Itália acusa NATO de abandonar refugiados da Líbia

08 de agosto 2011 - 0:11

A Itália acusou a NATO de não ter socorrido um barco de refugiados da guerra da Líbia à deriva no Mediterrâneo tentando alcançar a ilha italiana de Lampedusa. Roma pediu um “inquérito oficial” aos acontecimentos, que provocaram, segundo testemunhas, dezenas de mortos, sobretudo mulheres.

PARTILHAR
Roma pediu um “inquérito oficial” aos acontecimentos, que provocaram, segundo testemunhas, dezenas de mortos, sobretudo mulheres.

Não é a primeira vez navios de guerra ao serviço da NATO na agressão contra a Líbia são acusados de se recusar a socorrer refugiados provocados por essa mesma guerra. Também não é a primeira vez que a NATO desmente as acusações afirmando que os comandantes da frota de agressão estão “cientes” dos seus “compromissos perante o direito internacional”. A versão voltou a ser divulgada pelo porta voz da aliança em Nápoles, David Taylor.

A NATO foi anteriormente acusada de ter deixado à sua sorte um barco com centenas de refugiados perdidos nas águas mediterrânicas em circunstâncias nas quais era impossível não ter sido visto. Um helicóptero da aliança chegou a sobrevoar a embarcação, distribuiu alguns víveres e água e desapareceu sem que mais nada acontecesse.

Desta feita, a Itália, país da NATO, assume a acusação directa à Aliança, cujos navios se terão abstido de socorrer um barco que esteve uma semana à deriva no Mediterrâneo antes de conseguir alcançar Lampedusa na sexta-feira. Um passageiro, de nacionalidade marroquina, explicou que a bordo chegaram a estar 300 refugiados, mas que cerca de uma centena, sobretudo mulheres, morreram de fome e sede vendo-se os restantes passageiros na necessidade de lançar os cadáveres ao mar.

Franco Frattini, ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, propôs o alargamento do mandato das Nações Unidas sobre a Líbia à obrigação de os navios da NATO socorrerem os refugiados. Além disso, pediu um inquérito oficial aos acontecimentos.

Há semanas que a Itália contesta comportamentos da NATO na Líbia, uma intervenção que o primeiro ministro, Silvio Berlusconi, declarou recentemente não ser do seu agrado.

O tráfego de refugiados da Líbia está actualmente nas mãos de redes mafiosas que têm o seu espaço de intervenção na cidade de Benghazi, zona controlada pelo Conselho Nacional de Transição reconhecido como legítimo representante da Líbia pelos Estados Unidos e numerosos países da União Europeia, entre os quais Portugal.

Artigo publicado no site do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

Termos relacionados: Internacional