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Istambul repete derrota de Erdoğan

Depois das queixas de irregularidades por parte do partido do Presidente turco terem levado à repetição das autárquicas em Istambul, o candidato de Erdoğan foi derrotado de forma ainda mais expressiva do que na primeira eleição. Os 13 mil votos de diferença de 31 de março passaram a ser 777 mil.
Ekrem İmamoğlu em campanha em junho de 2019.
Ekrem İmamoğlu em campanha em junho de 2019. Foto de CeeGee/wikicommons

À segunda foi de vez. Erdoğan concedeu, numa publicação no twitter, a derrota na capital turca frente a Ekrem İmamoğlu, candidato apresentado pelo Partido Republicano do Povo (CHP). E a Junta Eleitoral confirmou esta vitória com 54,2% dos votos.

Cerca de três meses depois do primeiro escrutínio, que tinha já sido ganho por İmamoğlu, volta a sair derrotado Erdogan e o seu candidato, Binali Yildirim, ex-primeiro-ministro, do partido Justiça e Desenvolvimento (AKP).

O recurso interposto pelo AKP por irregularidades, e que tinha sido aceite pela Junta Eleitoral gerando forte polémica, teve assim como resultado prático reforçar a derrota do candidato apoiado pelo presidente que tinha perdido por 13 mil votos da primeira vez e perde agora por 777 mil. A participação eleitoral aumentou ligeiramente: a 31 de março tinha sido de 83,8%, este domingo foi de 84,5%.

O presidente eleito da Câmara de Istambul, um ex-empreiteiro que passou a ser autarca num dos distritos da capital, disse no seu discurso de vitória que quer “abrir uma nova página” marcada pela unidade, “com justiça, tolerância e igualdade”. Acrescentou frente a dezenas de milhares de apoiantes que “nesta cidade hoje, arranjámos a democracia”. İmamoğlu afirmou ainda estar disposto “a trabalhar em sintonia” com Erdoğan.

Esta vitória eleitoral é um sério golpe na popularidade do Presidente Erdoğan, no poder desde 2003. O AKP, o partido conservador e religioso que lidera, beneficiou de um período de crescimento económico do país para ir consolidando o seu poder e triunfando em sucessivas eleições. Em Istambul, o AKP governava há mais de 25 anos consecutivos.

Com a crise económica a bater à porta, tornando-se a desvalorização galopante da moeda um quebra-cabeças, e com a repressão política a aumentar, havendo cada vez mais jornalistas e opositores presos sob o pretexto da alegada tentativa de golpe de Estado de julho de 2016, a aura de Erdoğan tem sido posta em causa. E estas eleições são mais um passo, marcando o ponto simbólico em que as três principais cidades do país passam a estar nas mãos da oposição.

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