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Israel vacina colonos mas não palestinianos

A campanha de vacinação em massa de Israel chega aos territórios ocupados mas discrimina palestinianos que poderão ainda ter de esperar meses.
Manifestantes palestinianos contra colonatos em Kofr Qadom na mira de soldados israelitas. Foto de ALAA BADARNEH/EPA/Lusa.
Manifestantes palestinianos contra colonatos em Kofr Qadom na mira de soldados israelitas. Foto de ALAA BADARNEH/EPA/Lusa.

É uma operação desenhada para ser impressionante e que assim foi noticiada em todo o mundo. Nela, o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta novas eleições a 23 de março, joga o seu futuro político e a possibilidade de escapar a um julgamento por corrupção. Promete um rápido regresso à normalidade.

O plano de vacinação israelita chegou a 10% da população num fim de semana e avança a um ritmo de 150 mil vacinas por dia. Quem for vacinado poderá obter um “passaporte verde” que permite viajar sem quarentenas e, por exemplo, comer em restaurantes.

Só que aquilo que não foi propagandeado é que o sistema discrimina os palestinianos. A vacina não chegará tão cedo aos palestinianos que vivem na faixa de Gaza e à Cisjordânia, territórios ocupados por Israel. E não se trata de uma questão geográfica mas de uma discriminação programada já que os habitantes do colonatos, promovidos pelo Estado sionista, serão vacinados.

A Autoridade Palestiniana espera contornar a situação através do programa Covax da ONU que tem como objetivo fazer chegar vacinas aos países mais pobres. Por esta via, chegarão algumas vacinas em fevereiro, garante Ali Abed Rabbo, ministro da saúde palestiniano. Só que Gerald Rockenschaub, do gabinete da Organização Mundial de Saúde em Jerusalém, é bem menos otimista e indica que estas só chegarão “no início de meados de 2021”, segundo noticia o Guardian. As vacinas que irão ser distribuídas através deste programa ainda nem sequer obtiveram aprovação para uso de emergência, condição essencial para um programa de distribuição começar, nota-se.

Do lado israelita, sugere-se que algumas vacinas que sobrem podem ser entregues aos palestinianos. Os ocupantes dizem que não são responsáveis pela população destes territórios. O grupo de defesa dos direitos humanos israelita Gisha discorda e diz que Israel tem uma “responsabilidade última” para com os palestinianos.

A situação é pior em Gaza, gerida pelo Hamas e que sofre um bloqueio restrito, do que na Cisjordânia. Há mais infeções com coronavírus e a vacina pode ainda chegar mais tarde. Os dois territórios estão a trabalhar em conjunto nesta questão.

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