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Israel: Oposição tenta isolar Netanyahu

À beira do fim do prazo para a formação de um novo governo, surgem notícias de um acordo protagonizado pela direita religiosa. Netanyahu tenta convencer deputados dessas bancadas a evitarem o que diz ser “a fraude do século”.
Benjamin Netanyahu
Benjamin Netanyahu. Foto Kobi Gideon-GPO/PM Israel/Flickr

Os media israelitas especulavam este fim de semana sobre a iminência do anúncio de um acordo envolvendo o maior partido da oposição - o Yesh Atid [Há um Futuro], liderado por Yair Lapid, foi o segundo partido mais votado nas eleições de 23 de março - e os ultra-religiosos nacionalistas do Yamina [Direita], liderados por Naftali Bennett, que conseguiram sete deputados no Knesset. Para conseguirem uma maioria superior aos necessários 60 deputados num parlamento muito dividido, esse governo sem o Likud, de Benjamin Netanyahu, teria de garantir o apoio de orientações políticas antagónicas, incluindo os deputados árabes.

Acossado pelo julgamento em que é acusado de corrupção, Netanyahu falhou a tentativa de alcançar a maioria e procura agora que os adversários tenham o mesmo destino. O alvo é o seu antigo chefe de gabinete e aliado em vários governos, Naftali Bennett, a quem acusa de enganar os seus eleitores quando prometeu que nunca se iria aliar ao líder do maior partido da oposição. A concretização dessa aliança seria a “fraude do século”, disse Netanyahu no domingo, citado pela BBC, considerando esse hipotético governo “um perigo para a segurança e o futuro de Israel”.

Segundo os media de Israel, o plano da oposição passa por Bennett substituir Netanyahu à frente do Governo numa primeira fase, sendo depois substituído por Yair Lapid nesse governo com liderança em rotatividade. A sua coligação Yamina teve por base o sionismo religioso e veio a juntar depois pequenos partidos da direita israelita. Defendem um ultraliberalismo na economia, opõem-se à criação de um estado palestiniano e apoiam a expansão dos colonatos, onde se concentra boa parte do seu eleitorado. Até agora, Bennet manteve-se na sombra de Netanyahu, tendo sido seu chefe de gabinete entre 2006 e 2008. Depois deixou o Likud para presidir ao principal grupo de defesa dos colonos na Cisjordânia e em 2012 vai liderar o partido Casa Judaica, apoiando o Likud em troca de pastas no Governo entre 2013 e 2020: da economia aos assuntos religiosos, educação à defesa.

Para evitar a sua queda do poder, Netanyahu tem agora algumas horas para tentar convencer alguns deputados do Yamina - ou do Nova Esperança, de outro antigo aliado e dissidente do Likud, Gideon Saar - a rebelarem-se contra as suas bancadas, inviabilizando a proposta de governo que possa surgir deste acordo. Se não houver maioria até quarta-feira, Israel voltará às urnas pela quinta vez nos últimos dois anos.

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