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Insolvências aumentam no setor têxtil

As falências estão em queda em Portugal, porém nalguns setores de maior exportação há um aumento de insolvências e mesmo queda de exportações. Uma das causas dessa situação é a deslocalização, salientando-se o caso das fornecedoras da Inditex.
“Empresas que ainda trabalham na lógica do preço baixo estão condenadas a prazo”, afirma o diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP)
“Empresas que ainda trabalham na lógica do preço baixo estão condenadas a prazo”, afirma o diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP)

Segundo o “Diário de Notícias”, as insolvências caíram 9% nos primeiros nove meses de 2019, em comparação com igual período de 2018. No entanto, no setor têxtil e na metalurgia já há mais insolvências nos primeiros 9 meses de 2019 do que em todo o ano de 2018.

O jornal refere também que o Fórum para a Competitividade alertou para os “riscos elevados” nos setores têxtil e do calçado, apontando que as insolvências aumentaram nesses setores 40% e 16%, respetivamente, e as exportações tiveram quedas de 1,1% e 7,5% até agosto, "num contexto de crescimento global das exportações de 2,1%".

Como causas de fundo para o aumento de insolvências nestes setores são apontadas as quedas no crescimento da economia europeia, a concorrência da China e a deslocalização das fornecedoras da Inditex, a gigante de Amancio Ortega, o sexto homem mais rico do planeta.

Empresas que ainda trabalham na lógica do preço baixo estão condenadas a prazo”

Em declarações ao DN, o diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Paulo Vaz, declara: “As empresas que ainda trabalham na lógica do preço baixo estão condenadas a prazo. Sem outros elementos de diferenciação, são simplesmente trocadas mal apareça um concorrente, no norte de África ou na Ásia, que faça mais barato, nem que seja por um cêntimo". Paulo Vaz diz que não sabe que empresas faliram, apontando para “pequenas confeções a feitio, que trabalhavam, essencialmente, com base no preço”. O diretor-geral da ATP sublinha também que o setor realizou “uma enorme transformação na última década” e as empresas “que não o fizeram foram desaparecendo”.

No caso da metalurgia e metalomecânica, a AIMMAP (Associação dos industriais metalúrgicos metalomecânicos e afins de Portugal) aponta dificuldades no subsetor das energias renováveis, devido à “entrada no mercado de torres eólicas chinesas ao preço da matéria-prima”, sendo a falência da Tegopi o exemplo mais flagrante (ver notícias no esquerda.net aqui e aqui). O DN refere ainda que a Ventipower, de Oliveira de Frades, está em risco de fechar.

A deslocalização promovida pela Inditex

Um dos fatores que lança a crise em diversas empresas do setor têxtil é a deslocalização promovida pela Inditex, que passou a dar preferência a fornecedores de Marrocos ou da Turquia, seguindo certamente a “lógica do preço baixo”.

A Inditex é composta por 8 marcas (Zara, Pull&Bear, Massimo Dutti, Bershka, Stradivarius, Oysho, Zara Home e Uterqüe) e tem mais de 7.000 lojas em 96 mercados, segundo dados da própria empresa.

O dono da Inditex é Amancio Ortega o sexto homem mais rico do planeta, segundo a Forbes, com um património avaliado em cerca de 62,9 milhões de euros. Ortega recebeu esta segunda-feira 812,5 milhões de euros de pagamento de dividendos da Inditex. Em maio de 2019, já tinha recebido 813,1 milhões de euros, como primeiro pagamento dos dividendos de 2018 da Inditex. A empresa anunciou em setembro passado um aumento dos lucros de 10% relativamente a igual período de 2018.

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