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Insistência no erro

O gráfico incluído neste artigo mostra as previsões sistematicamente (e consistentemente) erradas do BCE sobre a evolução da inflação na zona euro. Postado por Vicente Ferreira em Ladrões de Bicicletas
Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha – Foto de Gideon Benari/flickr
Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha – Foto de Gideon Benari/flickr

John Kenneth Galbraith não se enganou quando disse que "a única função das previsões económicas é fazer a astrologia parecer respeitável".

No entanto, o problema não se resume a meros erros de previsão: a necessidade de controlar a inflação serve para justificar uma atuação contida do banco central. Na verdade, a política expansionista que o BCE apenas adotou como último recurso (a oposição de Merkel e do governo alemão impediu que o fizesse mais cedo) foi a única forma de atenuar os danos do colapso financeiro de há dez anos e conter o pânico na zona euro, ainda que se trate de uma resposta incompleta que alimenta novas bolhas especulativas.

Gráfico que mostra as previsões sistematicamente (e consistentemente) erradas do BCE sobre a evolução da inflação na zona euro
Gráfico que mostra as previsões sistematicamente (e consistentemente) erradas do BCE sobre a evolução da inflação na zona euro

Além disso, as previsões alarmistas sobre o nível de preços costumam ser usadas pelos economistas convencionais como um dos fundamentos para as políticas de austeridade que devastaram a periferia europeia depois da crise. Seria preferível ter alguma inflação e crescimento dos salários para recuperar a procura na zona euro, mas as instituições europeias preferem a recessão - a crise é a mais eficaz forma de manutenção e reforço do seu poder. Restam dúvidas sobre a atuação política de um banco central que se supõe e se apresenta como independente?

Postado por Vicente Ferreira em Ladrões de Bicicletas

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