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Infiltração da extrema-direita nas Forças Armadas sob investigação

A Polícia Judiciária Militar está a investigar um militar da marinha suspeito de publicar documentos classificados num blogue de extrema-direita. Investigação quer perceber a infiltração da extrema direita nas Forças Armadas.
Infiltração da extrema-direita nas Forças Armadas sob investigação
Fotografia de Tuomas Saloniemi/Flickr.

A Polícia Judiciária Militar (PJM) está a investigar um caso ocorrido em 2019, quando surgiram no blogue da organização Movimento Armilar Lusitano (MAL), um movimento de extrema direita, documentos confidenciais da Marinha. A publicação terá sido feita por um perfil falso.

O MAL apresenta-se como "um grupo de Lusitanos que enaltece Portugal e os Portugueses patriotas". Os seus seguidores foram referenciados nas manifestações dos coletes amarelos e, mais recentemente, no desfile racista com máscaras a imitar o Ku Klux Klan, junto ao SOS Racismo, que já levou à abertura de um inquérito-crime, diz a edição de ontem do jornal Diário de Notícias

De acordo com fontes militares que falaram com o jornal, as publicações coincidiram com o lançamento de um movimento de contestação na Marinha, com o nome Naval Zero, na linha do Movimento Zero da polícia.

A publicação deu, por isso, origem a uma averiguação interna. Uma vez identificado o departamento onde tiveram origem as publicações e a identidade do presumível autor, o processo foi entregue à PJM. 

"Considerando a matéria em questão e a natureza da investigação criminal", a PJM não adianta mais pormenores sobre o caso nem confirma se existem outros casos desta natureza em investigação, explica o DN. 

Segundo um jurista ouvido pelo jornal, podem estar em causa crimes previstos no Código de Justiça Militar, como violação de segredo de Estado, violação de deveres de lealdade, de isenção política e dever de sigilo.

Já o porta-voz da PJM explica que, “no limite, pode levar à expulsão do militar das Forças Armadas ou mesmo à aplicação de pena disciplinar privativa da liberdade (prisão disciplinar)".

Esta fonte oficial assinala que "a PJM, em estreita ligação com os ramos das Forças Armadas, Estado-Maior da Forças Armadas e Guarda Nacional Republicana, segue atentamente este fenómeno, designadamente nas redes sociais e em outras formas de comunicação, em todas as situações que sejam passiveis de se enquadrar dentro da área de competências desta polícia - prática de crimes de natureza estritamente militar ou de crimes praticados no interior de unidades, estabelecimentos ou órgãos militares”. 

Esta fonte oficial assinala que "a PJM, em estreita ligação com os ramos das Forças Armadas, Estado-Maior da Forças Armadas e Guarda Nacional Republicana, segue atentamente este fenómeno, designadamente nas redes sociais e em outras formas de comunicação, em todas as situações que sejam passíveis de se enquadrar dentro da área de competências desta polícia - prática de crimes de natureza estritamente militar ou de crimes praticados no interior de unidades, estabelecimentos ou órgãos militares".

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