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Indústria da madeira compromete combate às alterações climáticas na União Europeia

Um estudo publicado na revista Nature na passada quinta-feira mostra que em grande parte da União Europeia há um aumento forte da área florestal colhida. As grandes explorações florestais estão assim a comprometer a luta contra o aquecimento global.
Colheita de madeira no Reino Unido. Foto de The Boy that time forgot/wikimedia commons.
Colheita de madeira no Reino Unido. Foto de The Boy that time forgot/wikimedia commons.

As florestas são cerca 38% do total da área de UE e são importantes no contexto do aquecimento global, nomeadamente para absorverem carbono. Contudo, essa função está a ser comprometida pela intensificação das grandes explorações florestais, diz um estudo publicado na revista Nature na passada quinta-feira. Este aumento de atividade também tem efeitos potenciais na perda de biodiversidade, erosão do solo e problemas nos cursos de águas.

A “procura crescente” por “serviços e produtos florestais”, ou seja a “recente expansão do mercado da madeira”, está a colocar em causa “uma gestão sustentável da floresta”, afirmam os autores desta investigação. Através do uso de dados de satélite, concluíram que houve um aumento da área florestal colhida em 49% e um aumento da perda de biomassa de 69% no período de 2016-2018 quando comparado com o período 2011-2015.

Guido Ceccherini, do Centro de Investigação Conjunta da União Europeia e autor principal do estudo, ilustra a dimensão do problema dizendo que esta área deveria ter variado em menos de 10% tendo em conta os ciclos naturais de plantação, crescimento e colheita. Esta colheita intensiva quebra a capacidade de absorção de carbono das florestas da União Europeia a curto prazo e “pode levar várias décadas, dependendo do tipo de floresta”, até que se consiga voltar aos níveis anteriores.

Na Península Ibérica, assim como nos países nórdicos e do Báltico, há “largas perdas”. Entre 2016 e 2018, as áreas de exploração da floresta aumentaram na Suécia e na Finlândia 50% do total europeu. Juntos, Portugal, Espanha, França, Polónia, Letónia e Estónia aumentaram 30% desse conjunto.

A continuar a este ritmo, fica em causa o compromisso de alcançar a neutralidade carbónica até 2050, esclarecem os autores da investigação.

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