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Indonésia: 6 mortos em manifestações contra “fraude eleitoral”

Há seis mortos e 200 feridos devido a confrontos entre manifestantes e polícia em Jacarta. Os manifestantes reclamam o que dizem ter sido uma fraude eleitoral nas eleições presidenciais que teria prejudicado o candidato ultra-nacionalista. Entretanto, o governo anunciou o bloqueio das redes sociais.
Foto de Eduardo M. C./Flickr

Os apoiantes do candidato presidencial indonésio Prabowo Subianto, um ex-general, estão a sair às ruas da capital do país contestando os resultados das eleições do passado dia 17 de abril. Nesta terça-feira, a comissão geral de eleições apresentou de surpresa os resultados oficiais que deram a vitória ao atual presidente Joko Widodo com 55,5%.

O candidato declarado derrotado, que terá tido 44,5% dos votos, anunciou que contestará os estes resultados junto do Tribunal Constitucional. Mas os seus apoiantes não ficaram à espera deste veredito e saíram imediatamente às ruas na zona de Kebon Pala, Tanah Abang, no centro de Jacarta.

A manifestação começou sem confrontos. Estes ocorreram depois da polícia ter tentado que saíssem da zona. Perante a recusa, houve disparos de gás lacrimogéneo e canhões de água e, como resposta, foram atiradas pedras e cocktails molotov. Noutros pontos do país também há notícias de manifestações e de um incêndio numa esquadra de polícia.

Alinhado com os islâmicos radicais, Subianto utiliza uma retórica nacionalista sobre o país ser explorado pelas potências estrangeiras. É parte a elite política e económica do país e a sua família tem ligações ao ex-ditador Suharto. Alcançou nestas eleições, segundo o escrutínio oficial 68,5, milhões de votos contra 85,6 do atual presidente.

Wiranto, ministro da Segurança, declarou o estado de alerta máximo e anunciou que vai bloquear o acesso a redes sociais e aplicações de troca de mensagens em várias zonas de forma a que aqueles que chama “agentes provocadores” não se possam coordenar. Informou também que há cerca de sete dezenas de detidos entre os quais um comandante das forças especiais acusado de tentar passar armas aos manifestantes.

Os manifestantes são também acusados de planear os desacatos e dá como prova disto uma ambulância encontrada cheia de pedras.

Tito Karnavian, chefe da polícia indonésia, enjeita a responsabilidade pelas vítimas. Esclarece que “alguns do mortos têm feridas de bala, alguns de arma branca mas temos ainda de clarificar isso” mas afirma que a polícia não usou balas reais contra os manifestantes.

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