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Índia bate recorde mundial de infeções, saúde em colapso

Num mês, o número casos diários multiplicou-se por oito e o de mortes por dez. E há quem defenda que os números oficiais não dão conta da dimensão da tragédia. Os hospitais dizem que o oxigénio se esgota e que não há camas. As listas de espera dos crematórios aumentam.
Calcutá, profissionais de saúde recebem uma paciente. Foto de PIYAL ADHIKARY/EPA/Lusa.
Calcutá, profissionais de saúde recebem uma paciente. Foto de PIYAL ADHIKARY/EPA/Lusa.

Pelo quarto dia consecutivo, a Índia bate o recorde mundial de infeções. Em 24 horas foram detetados 349.691 novos casos de Covid-19. Está a morrer uma pessoa a cada quatro horas na capital do país e há hospitais em que o oxigénio já se esgotou e não há mais camas para novos pacientes.

Segundo o ministério da Saúde indiano, o total de infeções no país é de 16,96 milhões e o número de mortes é de 192.311, 2.767 no último dia. A situação é cada vez mais grave mas o pico de infeções só é esperado em meados de maio. Entretanto, num mês, o número de casos diários aumentou oito vezes. O número de mortes por dia subiu dez. E há muitos especialistas da área da saúde que defendem que, face ao colapso de várias instituições, os números oficiais não dão ainda conta da verdadeira dimensão da tragédia.

Depois de ter declarado em fevereiro que tinha vencido o coronavírus, o primeiro-ministro Modi admite que há “uma tempestade que abala o país”. A oposição critica-o quer por ter permitido concentrações de massas, religiosas e políticas, quer por não ter preparado o sistema de saúde para uma segunda vaga.

A situação é tal que os crematórios aumentaram o número de piras fúnebres e, ainda assim, há vários que avisam estar a recusar mais cerimónias por não estarem a conseguir acompanhar o ritmo de mortes. Os seus números são mais uma razão para desconfiar das contas governamentais. A Associated Press relata o caso do crematório Vishram Ghat, em Bhadbhada, no qual os trabalhadores afirmam ter cremado 110 pessoas no sábado. As contas oficiais de mortes para o mesmo dia na cidade apontam apenas para dez.

Também os hospitais estão muito acima das suas capacidades. Em desespero, os da capital recorreram ao tribunal superior de Deli para tentar obrigar o Estado a fazer-lhes chegar oxigénio e outros recursos em falta. Segundo a Reuters, a resposta do tribunal foi dar-lhes razão e questionar o governo nos seguintes termos: “é um tsunami. Como estão a tentar construir capacidade para lhe responder?”

A mesma agência noticiosa dá conta que o governo do país exigiu ao Twitter a retirada de pelo menos 21 publicações críticas da sua atuação no combate à pandemia. O executivo indiano citou o Information Technology Act, 2000, como base legal para o fazer. À Reuters, a rede social respondeu que, nestes casos, o que é feito é analisar se o conteúdo viola as regras do Twitter, se esta violação se confirmar será apagado. Se for considerado em violação de uma “jurisdição particular”, então pode ser bloqueado o acesso à publicação apenas nesse país.

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