Está aqui

Incêndios: investigador assinala pouca intervenção nas áreas ardidas e expansão do eucalipto

O investigador Luciano Lourenço considera que o grande problema da reforma da floresta de 2017 é a aplicação prática e salienta que, “enquanto não controlarmos os incêndios florestais”, o setor florestal não é muito “atrativo”.
“Stop eucaliptos” -Foto Miguel Edreira Castro/Flickr
“Stop eucaliptos” -Foto Miguel Edreira Castro/Flickr

Em declarações à agência Lusa, o investigador Luciano Lourenço, diretor do Núcleo de Investigação Científica de Incêndios Florestais (NICIF) da Universidade de Coimbra, aponta que, em relação às medidas aprovadas pela Assembleia da República em 2017, falta “aplicação prática”, “por falta de disponibilidade, nomeadamente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), para poder aplicar no território grande parte das medidas que foram propostas”. Luciano Lourenço refere ainda “grandes constrangimentos da parte do Estado para cumprir com o que estaria acordado”, nomeadamente nas áreas queimadas.

Sobre a proibição de novas plantações de eucalipto, o investigador diz que o pinhal tem vindo a ser substituído pelo eucalipto, “por geração espontânea”. Ao percorrer o território florestal em Portugal, nomeadamente as áreas queimadas em 2017, “o que acontece é que podem não ter sido feitas novas plantações, mas as que existiam continuaram e por germinação nasceram muitos milhares, milhões, de eucaliptos”, afirma o diretor do NICIF.

Sobre o programa de transformação da paisagem, aprovado em maio passado, Luciano Lourenço diz que “é um programa que, do ponto de vista prático, vai levar muito tempo para poder ser executado”.

“Transformação da paisagem é qualquer coisa que os incêndios conseguem fazer num ápice, mas depois as transformações que seriam necessárias após os incêndios, por aquilo que temos visto no passado, é que não são feitas”, sublinha.

O diretor do NICIF afirma também que “não parece que haja um grande interesse dos proprietários, de uma maneira geral, em recorrer a financiamentos para investirem numa floresta cujo destino é incerto”.

“Enquanto não controlarmos os incêndios florestais, e parece que cada vez está a ser mais difícil, apesar das muitas medidas que têm sido tomadas, o setor florestal continua a não ser muito atrativo”, sublinha o investigador.

O diretor do NICIF salienta ainda que, para tornar viável a exploração florestal, seria necessário criar unidades de gestão que pudessem ser rentáveis, mesmo através do emparcelamento e do arrendamento forçado.

Termos relacionados Sociedade
(...)