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"Inaceitavelmente lento": OMS critica vacinação na Europa

A Organização Mundial de Saúde diz que os atrasos implicam a manutenção das medidas de distanciamento e confinamento. Coordenador da task-force portuguesa diz que a vacinação por grupos dificulta a organização e eficiência do processo de vacinação.
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Foto ErnestoBenavides/IMF Photo/Flickr

Quando nas últimas semanas se voltou a ouvir falar de restrições à vacina da AstraZeneca (agora para menores de 60 anos, na Alemanha) naquela que é “a segunda região mais afectada pelo SARS-CoV-2” em todo o mundo, a OMS vem acusar o processo de vacinação conduzido pelas autoridades europeias e nacionais como sendo “inaceitavelmente lento”, pela voz do seu diretor regional para a Europa, Hans Kluge. 

“Elas funcionam, mas, mais do que isso, são altamente eficientes na prevenção da infeção. Contudo, o processo de vacinação tem sido inaceitavelmente lento. E, enquanto a cobertura continuar baixa, teremos de aplicar as mesmas medidas de saúde pública e sociais que aplicámos no passado, para compensar o atraso nos calendários [de vacinação].”

“Vou ser claro: temos de acelerar o processo ao aumentar o fabrico, reduzir as barreiras à administração das vacinas e usar todas as doses que temos disponíveis agora”, defendeu.

Recorde-se que, até agora, apenas 10% da população europeia foi vacinada com apenas uma dose e apenas 4% recebeu duas (Portugal está em linha com o resto dos páises). Segundo Kluge, “o risco de a vacinação em curso dar uma falsa sensação de segurança às autoridades e ao público é considerável e acarreta perigo”.

A OMS defendeu ainda a continuação de medidas como o confinamento e medidas de distanciamento físico, uma vez que a maioria da população europeia ainda não está vacinada, e também devido ao aumento dos casos de covid-19, ao avanço de novas variantes (como a mais recente identificada no Reino Unido) e naturalmente a semana da Páscoa.

Segundo o jornal Público, pelo menos 27 países europeus estão em confinamento (total ou parcial), com 21 países a impor recolher obrigatório noturno. Nas últimas duas semanas, 23 países anunciaram novas restrições para combater o vírus e 13 anunciaram medidas de desconfinamento.

"Não podemos vacinar grupinhos"

Em entrevista ao Jornal Público e à Radio Renascença, o coordenador da task-force disse aguardar um "maremoto de vacinas" nos próximos meses e explicou que a vacinação por grupos dificulta a organização e eficiência do processo de vacinação.

No mesmo sentido, a Direção-Geral da Saúde (DGS) está a ponderar uma nova lista de prioridades para a segunda fase do plano de vacinação, de acordo com a proposta da sua comissão de especialistas, tendo como objetivo a priorização do critério de faixas etárias decrescentes, por um lado, mas também incluindo em simultâneo pessoas com doenças associadas a risco acrescido de covid-19 com gravidade, e sem limite de idade. Segundo a DGS, será uma nova “estratégia em dois braços que correrá em paralelo”.

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