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Imigrantes manifestaram-se contra injustiças no processo de legalização

Indignados com o sistema de atribuição de vagas para agendamentos no SEF, um grupo de imigrantes manifestou-se este domingo para exigir justiça no processo.
Manifestação de imigrantes este domingo em Lisboa.
Manifestação de imigrantes este domingo em Lisboa. Foto António Cotrim/Lusa

"Estamos cansados desta situação, o maior motivo da manifestação é o desespero, obrigam-nos a estar 24 horas no sistema à procura de uma vaga, e nós somos trabalhadores, não somos bandidos, pagamos impostos, e o Governo tem de ver isso", disse à agência Lusa a organizadora da manifestação deste domingo em Lisboa, Juliete Cristina.

A dificuldade em conseguir vaga no sistema de senhas online é bem conhecida por milhares de pessoas que vivem e trabalham há anos em Portugal. Mas é também uma oportunidade de negócio, como explicou esta imigrante vinda do Brasil há dois anos: "Há pessoas que conseguem por sorte, outras é pagando, uma advogada tentou cobrar-me 300 euros [por uma vaga para atendimento pelo SEF], e uma pessoa num momento de desespero, depois de estar cá três ou quatro anos, acaba por pagar, mas eu não pago, porque isso é injusto", disse a imigrante em declarações à Lusa no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Também a associação Solidariedade Imigrante confirmou à Lusa que que há “autênticas máfias” a vender aos imigrantes agendamentos no SEF por centenas de euros. “As máfias organizadas e escritórios de advogados levam os agendamentos todos. Quando abrem agendamentos duram 15 minutos na plataforma do SEF”, afirmou o seu presidente, Timóteo Macedo.

A manifestação em Lisboa teve início na Praça do Comércio e dirigiu-se depois ao Parlamento, com cartazes onde se lia “Basta de esperar” ou “Ninguém é ilegal”. No Porto, também houve concentração na Avenida dos Aliados. Os imigrantes de varias nacionalidades reivindicam a atribuição automática da Autorização de Residência a quem tenha entregue a manifestação de interesse e tenha ainda o processo pendente. E também que os agendamentos futuros funcionem por ordem cronológica, pondo fim à situação atual.

Embora a lei portuguesa preveja que o pedido de concessão de autorização de residência deva ser decidido no prazo de 90 dias - e o de renovação em 60 dias - os processos chegam a demorar anos, por entre tempos de espera e burocracias. A perturbação do funcionamento dos serviços por causa da pandemia veio agravar ainda mais a situação.

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