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Imigração: Desconstruir as fake news

O discurso racista e xenófobo, as mentiras propaladas com tanto fervor sobre a imigração, são facilmente expostas e desconstruídas.
Foto de Mariana Carneiro.

Somos bombardeados com o populismo de quem tem como móbil promover o ódio e eleger bodes expiatórios. As e os imigrantes, homens, mulheres, crianças e jovens que vivem neste país, que o constroem, são utilizados como meros peões em agendas mediáticas e eleitoralistas. Mas o discurso racista e xenófobo, as mentiras propaladas com tanto fervor sobre a imigração, são facilmente expostas e desconstruídas.

O relatório do Observatório das Migrações Indicadores de Integração de Imigrantes 2020 não deixa margem para dúvidas: “A imigração é para Portugal essencialmente ativa e contributiva, ajudando de forma inequívoca para contrabalançar as contas públicas da Segurança Social, constituindo-se como uma dimensão importante do reforço e sustentabilidade do Estado social em Portugal”.

Os imigrantes são subsídio dependentes? Não. Contribuem para a Segurança Social com mais 884,4 milhões de euros do que aquilo que dela recebem. Por comparação ao total de residentes em Portugal, continuam a ter menos beneficiários de prestações sociais por total de contribuintes.

Os imigrantes não gostam de trabalhar ou vêm para cá roubar os nossos empregos? Não. Apresentam taxas de atividade superiores e estão mais representados nos grupos profissionais da base, como a agricultura, alojamento e restauração ou construção. Exercem funções abaixo das suas habilitações e continuam a ter remunerações médias mais baixas.

Os imigrantes estão a invadir o nosso país? Não. As contas oficiais apontam que há 707.848 migrantes residentes. Um número que faz com que o país ocupe os últimos lugares relativamente à percentagem de migrantes (ocupa o 20º lugar entre 28) e fique longe da média europeia que, em 2019, foi de 7,9%.

Ainda assim, os contributos positivos dos imigrantes para a demografia portuguesa são inegáveis. Portugal é assumido “como um dos países europeus mais envelhecido e com mais grave fragilidade demográfica”. A recuperação do saldo migratório foi fulcral para compensar o valor negativo do saldo natural em 2019, permitindo atingir um saldo total positivo. Em 2019, a população estrangeira representava somente 5,7% do total da população residente no país. No entanto, as mulheres de nacionalidade estrangeira foram responsáveis por 12,7% do total dos nados-vivos em Portugal.

Os imigrantes vivem “à grande” em Portugal? Não. Além de trabalharem em setores menos atrativos, e receberem menos, estão expostos a um risco de pobreza que excede em 6,1% o dos restantes residentes.

Em 2019, 12,5% dos imigrantes de fora da União Europeia alimentavam as taxas de desemprego, o dobro dos nacionais. Ainda assim, receberam só 3,8% do valor dos subsídios de desemprego. Acresce que as populações imigrantes encontram-se em manifesta situação de desvantagem no que respeita à habitação.

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