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Igualdade entre homens e mulheres pode demorar 300 anos, alerta ONU

A covid-19 e as suas sequelas, as alterações climáticas, os conflitos armados e os importantes retrocessos nos direitos sexuais e reprodutivos que se estão a registar em várias partes do mundo "estão a exacerbar ainda mais a disparidade de género".
Foto Esquerda.net

De acordo com o último relatório sobre o Progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): The Gender Snapshot 2022, tornado público esta quarta-feira pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU (UN DESA), ao ritmo atual de progresso, atingir a plena igualdade entre homens e mulheres pode demorar perto de 300 anos.

O documento explica que os desafios globais, como a covid-19 e as suas sequelas, as alterações climáticas, os conflitos armados e os importantes retrocessos nos direitos sexuais e reprodutivos que se estão a registar em várias partes do mundo "estão a exacerbar ainda mais a disparidade de género". Eliminar a desigualdade na proteção legal e eliminar as leis discriminatórias demorará, segundo o estudo, 286 anos. Já a representação paritária em posições de liderança e poder no trabalho só será atingida em 140 anos. Serão necessárias quatro décadas para conseguir uma presença equitativa nos parlamentos nacionais. Já para atingir a eliminação do casamento infantil no ano 2030 (uma das metas) o avanço deveria ter sido dezassete vezes mais rápido do que o verificado na última década.

As Nações Unidas advertem que as mais vulneráveis continuarão a ser as meninas mais pobres de zonas rurais e que vivem em áreas de conflitos.

"As crises mundiais sucessivas estão a pôr em perigo os avanços dos ODS, e os grupos de população mais vulneráveis do mundo veem-se afetados de maneira desproporcionada, em particular as mulheres e as meninas. A igualdade de género é a base para conseguir todos os ODS e deve estar no centro de uma melhor reconstrução", afirmou Maria-Francesca Spatolisano, secretária geral adjunta de Coordenação de Políticas e Assuntos Interinstitucionais da ONU DESA.

"Este é um ponto de inflexão para os direitos das mulheres e a igualdade de género à medida que nos aproximamos da metade do caminho para 2030. É fundamental que nos unamos agora para investir em mulheres e meninas para reclamar e acelerar o Progresso. Os dados mostram regressões inegáveis nas suas vidas, agravadas pelas crises mundiais: em rendimentos, segurança, educação e saúde. Quanto mais demorarmos em reverter esta tendência, mais difícil será", afirmou Sima Bahous, diretora executiva da ONU Mulheres, durante a apresentação do estudo.

O relatório também assinala uma alteração preocupante na redução da pobreza, e é provável que o aumento dos preços exacerbe esta tendência. No final de 2022, cerca de 383 milhões de mulheres e meninas viverão na pobreza extrema, com menos de 2 euros por dia, em comparação com 368 milhões de homens e meninos. Muitos mais terão rendimentos insuficientes para satisfazer necessidades básicas como alimentos, roupa e habitação adequada na maior parte do mundo. Se as tendências atuais se mantiverem, na África Subsariana, mais mulheres e meninas viverão na pobreza extrema em 2030 do que na atualidade.

A nível mundial, as mulheres perderam cerca de 800.000 milhões de dólares em rendimentos devido à pandemia. Mais de 102 milhões de mulheres e meninas residem em zonas onde o aborto é totalmente proibido. O número de mulheres e meninas forçadas a deslocar-se ou emigrar fixa-se em pelo menos 44 milhões, o mais alto da história.

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