IGAS abriu processo ao responsável pelo plano do Governo para o SNS

12 de abril 2025 - 11:28

Eurico Castro Alves está na mira da inspeção por causa da acumulação de funções públicas e privadas e da gestão das listas de espera no Hospital de Santo António, onde dirige o departamento de cirurgia.

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Eurico Castro Alves.
Eurico Castro Alves. Fotografia de João Relvas/Lusa

O médico Eurico Castro Alves, que preside à Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos e foi a figura chamada por Luís Montenegro para delinear o chamado plano de emergência para o SNS após o Governo tomar posse, está a ser alvo de ima inspeção por parte da Inspeção Geral de Atividades em Saúde.

A abertura do processo data de novembro passado, mas só agora a IGAS a divulgou, sem referir o nome do médico e empresário que já foi acusado de ser uma espécie de “ministro-sombra” da Saúde, dadas as figuras da sua órbita que passaram a assumir cargos de responsabilidade nas políticas de Saúde. Foi justamente em novembro que o Esquerda.net publicou um perfil de Eurico Castro Alves e do seu percurso empresarial e ligações aos atuais titulares da pasta da Saúde. Na mesma altura, Mariana Mortágua pediu a demissão da ministra Ana Paula Martins, acusando-a de ter instalado “uma agência de liquidação do SNS que está mergulhada em conflitos de interesses”.

"Por despacho do Inspetor-geral da IGAS, de 5 novembro de 2024, foi instaurado um processo de inspeção à atividade do diretor do departamento de cirurgia da Unidade Local de Saúde de Santo António, E.P.E. na gestão das listas de espera e acumulação de funções públicas com funções ou atividades privadas”, diz o comunicado da IGAS, acrescentando que o processo se encontra em fase de desenvolvimento.

Com a vitória da AD nas eleições do ano passado, vários cargos de responsabilidade na área da Saúde passaram a estar ocupados por figuras ligadas à lista liderada por Eurico Castro Alves à frente da Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos: A primeira foi Ana Povo, atual secretária de Estado da Saúde; o segundo foi o próprio líder da lista, Eurico Castro Alves, chamado para coordenar o Plano de Emergência para o SNS e anfitrião das férias do primeiro-ministro no Brasil no ano passado; o terceiro foi Gandra d’Almeida, nomeado diretor executivo do SNS; o quarto foi Alberto Caldas Afonso, agora à frente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente; e o quinto foi António Maia Gonçalves, escolhido para ocupar o lugar de coordenador do Plano de Ação de Envelhecimento Ativo e Saudável.

A ministra da Saúde Ana Paula Martins, enquanto bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, tinha colaborado com uma empresa de Castro Alves, dando formação na área da canábis medicinal. E para o lugar de Gandra d’Almeida, demitido após ser conhecida a acumulação de funções quando dirigia o INEM do Norte, a ministra chamou para novo diretor executivo do SNS o ex-deputado do PSD Álvaro Almeida, que trabalhou com Eurico Castro Alves na Entidade Reguladora da Saúde e anos depois foi um dos orientadores da sua tese de doutoramento acerca do trabalho que desenvolveram juntos naquela instituição.