Está aqui

IGAI vai investigar notícias de crimes de polícias nas redes sociais

A PSP diz que irá “participar às autoridades judiciais competentes os indícios” referidos na reportagem do Consórcio – Rede de Jornalistas de Investigação e a GNR apela à denúncia deste tipo de casos. IGAI vai investigar notícias de crimes de polícias nas redes sociais.
Polícia. Foto de Paulete Matos.
Polícia. Foto de Paulete Matos.

Depois da notícia desta quarta-feira, revelada pelo Consórcio – Rede de Jornalistas de Investigação, de que perto de 600 agentes no ativo da PSP e da GNR tinham cometido vários crimes nas redes sociais, surgiu o anúncio de que a Inspecção-Geral da Administração Interna abrirá um inquérito.

O gabinete do ministro da Administração Interna comunicou que determinou “a abertura de inquérito, imediato, para apuramento da veracidade dos indícios contidos nas notícias de hoje sobre a alegada publicação, por agentes das forças de segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e violência contra determinadas pessoas”.

Na sua nota à imprensa, José Luís Carneiro, que fora contactado pelos jornalistas que fizeram a investigação antes da sua publicação mas que se recusara a dar uma entrevista, diz agora que “estas alegadas mensagens, que incluem juízos ofensivos da honra ou consideração de determinadas pessoas, são de extrema gravidade e justificam o carácter prioritário do inquérito agora determinado à IGAI”.

Direção da PSP diz que estes comportamentos “de nenhuma forma caracterizam o universo dos polícias”

Também em comunicado enviado à imprensa, a Direção Nacional da PSP reagiu à primeira de uma série de investigações sobre as polícias feita pelo consórcio de jornalistas de investigação, referindo haver notícias de “conteúdos escritos e frases aparentemente publicadas em redes sociais fechadas e alegadamente atribuídos, nomeadamente, a alguns polícias da PSP” e que “a PSP irá participar às autoridades judiciais competentes os indícios referidos no artigo e peça jornalística em questão”.

A direção da força policial informa que, desde 2019, houve seis condenações disciplinares e há ainda nove processos disciplinares em instrução em casos com “indícios (...) da prática de comportamentos racistas, xenófobos ou de incitamento ao ódio, no desempenho de funções ou por comentários censuráveis nas redes sociais”. Este órgão justifica-se dizendo que quando lhe chega ao conhecimento e tem indícios concretos de “práticas, atitudes, afirmações, comportamentos xenófobos, racistas ou de incitamento ao ódio, comunica-os às entidades judiciais competentes” e, nos casos em que são polícias, “avalia-os em sede disciplinar e promove o respetivo procedimento”.

Para a chefia da PSP, este tipo de comportamentos “de nenhuma forma caracterizam o universo dos polícias da PSP” pelo que se deve evitar "formular generalizações que afetem negativamente a imagem e a reputação" da polícia.

Igualmente através de uma comunicação escrita enviada à imprensa, a GNR apela à denúncia deste tipo de casos. Também esta força opta por salientar que “perante comportamentos dos seus militares que não se enquadrem com os direitos previstos constitucionalmente, contrários à lei e/ou que configurem uma violação dos deveres deontológicos age através da comunicação às autoridades competentes, nos termos da lei, e/ou disciplinarmente”. E diz que tem uma Comissão para a Igualdade de Género e Não Discriminação na Guarda, nomeou uma Oficial de Direitos Humanos e criou um “Plano de Prevenção de Manifestações de Discriminação nas Forças e Serviços de Segurança” no âmbito do qual foram difundidas normas internas sobre boas práticas no âmbito da prevenção da discriminação e se aumentou o investimento na formação nestas questões.

Termos relacionados Sociedade
Comentários (1)