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Idlib: Assad avança para a conquista do último bastião rebelde na Síria

Ajudado pela forças áreas russas, o exército sírio avança Idlib. A última grande província rebelde, com presença de islamitas radicais e de fações rebeldes, pode cair nas mãos do regime de Bachar al-Assad. Há centenas de milhares de pessoas em fuga devido aos bombardeamentos. Muitos manifestaram-se domingo junto à fronteira turca.
Soldado do exército sírio tira uma selfie na cidade arrasada de  Maaret al-Nuaman. 30 de janeiro de 2020.
Soldado do exército sírio tira uma selfie na cidade arrasada de Maaret al-Nuaman. 30 de janeiro de 2020. Foto de: LUSA/EPA/YOUSSEF BADAWI

Desde 2012 que o regime sírio não controla Idlib. Um acordo de cessar-fogo de 2018, com dedo russo e turco, fazia com que Assad não avançasse na região. Só que, recentemente, a organização Hayat Tahrir al-Cham, que se afirmava anteriormente o braço sírio da Al-Qaeda, ganhou proeminência. Com a diminuição da força dos grupos apoiados pelos turcos e com a desculpa do combate ao extremismo religioso, Assad decidiu avançar.

A partir de dezembro, a ofensiva das forças leais ao presidente sírio tem alcançado conquistas significativas: 30 localidades no sul foram já tomadas. A segunda grande cidade, Maaret al-Noomane, está agora perdida. Era o último bastião das forças anti-regime não extremistas religiosas, gerido segundo se fazia saber por um conselho democraticamente eleito.

Fator desequilibrante foram os bombardeamentos com a ajuda russa. Uma estratégia que causou, desde o início desta fase da ofensiva, 260 mortes de civis, diz o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, e mais uma deslocação massiva de populações: 700 mil pessoas terão fugido dos bombardeamentos recentemente aponta o embaixador dos EUA, James Jeffrey . A ONU, por seu turno, estimou, na semana passada, em 390 mil o número de deslocados. Estes refugiados amontoam-se perto da fronteira turco, ponto a partir do qual são impedidos de passar. Grupos humanitários denunciam ainda a destruição de escolas, hospitais e outras infraestruturas civis.

Saraqeb é o próximo alvo. Cidade agora deserta, a sua localização é considerada estratégica por se situar no cruzamento duas auto-estradas crucias que ligam Damasco a Alep e esta à zona costeira de Lattaquié. As forças armadas sírias estavam no passado sábado a cerca de cinco quilómetros.

A esperança de alguns destes grupos será a Turquia, da qual recebem ajuda. Erdogan, o presidente deste país, voltou a ameaçar na quinta-feira o uso de força militar contra o país vizinho: “não permitiremos a crueldade do regime face ao seu próprio povo (…) faremos o que for necessário quando alguém ameaça o nosso solo. Não teremos escolha... se a situação em Idlib não voltar à normalidade rápido”. Mas não se sabe se é fogo de vista face aos jogos de bastidores entre as potências envolvidas no conflito.

Da Síria para Berlim

Este domingo cerca de 500 sírios deslocados das suas cidades organizaram um protesto intitulado “da Síria para Berlim”, no norte da região, no campo de Um al-Mouminin, junto à fronteira com a Turquia. Pretendiam mostrar ao mundo o sofrimento dos civis nesta região e pedir à Turquia que permita uma passagem segura até à Europa de forma a obter aí o estatuto de refugiados.

Os manifestantes pensam que a fuga para a Europa é a única forma de escapar aos bombardeamentos.

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