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Hong Kong saiu à rua contra a lei das extradições para a China

Proposta do governo pode acabar com proteção aos que contestam o regime chinês. Organizadores do protesto falam em mais de um milhão de manifestantes.
Manifestação em Hong Kong
Manifestação em Hong Kong este domingo. Foto Jerome Favre/EPA.

“Se perdermos isto, Hong Kong deixa de ser Hong Kong e passa a ser outra cidade chinesa”, afirmou ao Guardian o ex-deputado Martin Lee, que falou às muitas centenas de milhares de manifestantes. Com a lei que permite a extradição para a China, o governo “está a dizer não à democracia e a suprimir os direitos humanos e o estado de direito”, afirmou Lee, prometendo protestos ainda maiores nas próximas semanas se não houver um recuo por parte do governo.

A força do protesto terá duplicado o da marcha pela democracia de 2003, que impediu a aprovação de uma lei de segurança mais severa, ou o do movimento Occupy Central em 2014. Este domingo, os últimos manifestantes só saíram do ponto de partida da marcha quatro horas depois do primeiro grupo e a polícia foi obrigada a abrir a Henessy Road a toda a largura. Dez horas depois, os protestos ainda continuam noite dentro, com bloqueios de estradas e repressão policial.

Muitos dos manifestantes - mais de um milhão segundo os organizadores, 240 mil segundo a polícia - pediram a demissão da chefe do governo, Carrie Lam. A lei será debatida esta quarta-feira no Conselho Legislativo e o prazo para a sua aprovação é o fim do mês.

A lei proposta pelo governo de Hong Kong, sob o pretexto de reforço no combate ao crime, vai permitir a extradição de cidadãos residentes em Hong Kong para serem julgados pelo sistema judicial chinês. A proposta tem vindo a ser contestada por ONG de defesa dos direitos humanos e pelo movimento pró-democracia. Nas últimas duas décadas, nenhum pedido de extradição por parte de Pequim foi aceite pelas autoridades de Hong Kong.

A ameaça de extradições para a China junta-se à repressão aos ativistas pró-democracia do Occupy Central, cujos líderes foram condenados em abril com penas de prisão até 16 meses para os dois professores universitários e o pastor batista na origem do “movimento dos guarda-chuvas” que ocupou o centro de Hong Kong durante várias semanas.

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