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Hong Kong: mais um fim de semana de tumultos nas ruas

Milhares nas ruas, manifestações, barricadas, gás lacrimogéneo, confrontos com a polícia: eis o cenário em Hong Kong pelo nono fim de semana consecutivo. Protestos pró-democracia e anti-Pequim desde junho já são a maior vaga de contestação das últimas décadas.
Protestos na zona de Taikoo, Hong Kong, 11 de agosto de 2019. Foto: Miguel Candela/EPA/Lusa.
Protestos na zona de Taikoo, Hong Kong, 11 de agosto de 2019. Foto: Miguel Candela/EPA/Lusa.

Em Hong Kong, a vaga de protestos anti-Pequim continuou este fim de semana com milhares de pessoas em manifestações e confrontos em vários pontos da cidade. É o nono fim de semana consecutivo de protestos, num movimento que da contestação a uma lei de extradição alastrou para um desafio a toda a ordem política e representa já o maior tumulto das últimas décadas em Hong Kong, e um embaraço de monta para o poder de Pequim.

Apesar de Pequim ter endurecido o tom durante a semana, e várias concentrações para o fim de semana terem sido proibidas pelas autoridades locais, houve na mesma manifestações, marchas, bloqueios de estrada e confrontos com a polícia — estas protagonizadas sobretudo por grupos de jovens mais radicalizados com um repertório de táticas mais imprevisível.

Este fim de semana, ter-se-á assistido segundo agência Reuters a uma mudança de tática que abre uma nova fase nos protestos. As forças policiais passaram a tentar dispersar rapidamente com gás lacrimogéneo concentrações de manifestantes, impedindo que permaneçam muito tempo num mesmo ponto, numa tática de "limpar as ruas" de imediato. Os manifestantes responderam por sua vez com uma tática de flash mob, organizando barricadas improvisadas e arremessando objetos contra a polícia, recuando sempre que a polícia avançava, apenas para se reagruparem de imediato noutro ponto. Uma espécie de jogo do gato e rato que se prolongou toda a noite de sábado para domingo .

Um manifestante na casa dos 30 anos, de vestes negras e mascara médica no rosto, declarou à Reuters: "Estivemos a correr o dia todo mas não estamos cansados". Para ele, "esta é a nossa resposta a Carrie Lam", a governadora de Hong Kong, que "se não quiser ouvir o povo nem responder às nossas exigências razoáveis, continuaremos a espalhar protestos por Hong Kong inteira".

Gás lacrimogéneo, bloqueios de estrada, barricadas nas ruas, cargas policiais, foi assim o cenário que novamente pintou as ruas do centro de Hong Kong, as laterais do porto Vitória, zonas como Sham Shui Po, Tsim Sha Tsui, ou Wan Chai. Em Kwai Fong o cenário viu-se dentro de uma estação ferroviária, que ficou inundada por uma nuvem de gás.

Houve também contra-manifestações a favor de Pequim na zona de North Point, onde se registaram escaramuças com os manifestantes anti-Pequim.

Carrie Lam, a governadora de Hong Kong, não imaginaria decerto há dois meses que uma lei de extradição geraria uma tal onda de contestação, sobretudo após ter deixado cair a lei. O assunto revelou-se um rastilho para tensões mais profundas sobre o papel e o futuro do território face ao colosso chinês, marcados por receios de que a sua autonomia e liberdades democráticas no âmbito do princípio "um país, dois sistemas" venha a ser asfixiada aos poucos. Os protestos exigem agora a demissão de Lam, eleições democráticas, um inquérito à violência policial, e a libertação dos mais de 600 detidos desde o início dos protestos.

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