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Hong Kong: escaramuças entre manifestantes pró- e anti-Pequim

No 15º fim de semana da vaga de protestos em Hong Kong houve uma relativa acalmia. Setores da população pró-Pequim começam a marcar presença no espaço público. Este sábado, houve confrontos entre manifestantes pró- e anti-China.
Manifestantes pró-Pequim enfretam manifestantes anti-Pequim no shopping Amoy Plaza, Hong Kong, 14 de setembro de 2019. Foto: Jerome Favre/EPA/Lusa.
Manifestantes pró-Pequim enfretam manifestantes anti-Pequim no shopping Amoy Plaza, Hong Kong, 14 de setembro de 2019. Foto: Jerome Favre/EPA/Lusa.

Este sábado, no 15º fim de semana da vaga protestos em Hong Kong, registou-se uma acalmia em relação aos picos de confronto do mês passado, com manifestações mais pequenas e dispersas pela cidade. Mas num centro comercial na zona de Kowloon, houve confrontos diretos entre manifestantes pró-China e anti-China.

Com as ruas sujeitas a uma série de restrições, os centros comerciais tornam-se num novo ponto de protesto, com concentrações tanto anti- como pró-China no seu interior, em que grupos rivais de manifestantes tentam superar-se em cânticos, e por vezes mais. Segundo a agência Reuters, em Kowloon manifestantes pró-China reuniram-se num centro comercial com cânticos como "Apoiamos a polícia" ou "Hong Kong é China". Alguns passantes e manifestantes do outro lado reagiram com hostilidade e acabou por haver escaramuças, que extravasaram do shopping para as ruas circundantes. A polícia interveio e efetuou várias detenções.

Este sábado, houve também manifestações anti-Pequim nas ruas, em desobediência a uma proibição policial, nas zonas de Tin Shui Wai e Fortress Hill, e igualmente escaramuças com manifestantes pró-Pequim. Na manifestação de Tin Shui Wai, uma manifestante anti-China de 26 anos declarou à Reuters: "Temos de continuar a sair à rua para exigir ao governo que responda às nossas cinco exigências, ou vão pensar que nos basta a revogação da lei de extradição".

As cinco exigências dos manifestantes anti-Pequim, além da retirada da lei de extradição para a China continental por onde tudo começou, são a libertação de todos os presos durante a vaga de protestos, um inquérito independente à violência policial, o direito dos cidadãos de Hong Kong elegerem o seu governador, e que as autoridades e media retirem o termo "motins" para se referir aos protestos. Além destas questões, outras mais indiretas têm alimentado a vitalidade assinalável da vaga de protestos, como o custo de vida exorbitante na cidade e as dificuldade que os jovens enfrentam no mercado de trabalho.

Apesar das escaramuças, os acontecimentos este fim de semana foram mais calmos que a desordem generalizada de semanas anteriores, quando houve barricadas e incêndios nas ruas, estações de metro transformadas em campos de batalha, e ações de ocupação do aeroporto local, um dos mais movimentados do mundo, que chegou a suspender todos os voos em dois dias.

Não obstante a relativa acalmia, a situação continua tensa. Segundo a Reuters, Pequim está desejosa de acabar com qualquer sinal de revolta antes do dia 1 de outubro, data em que se assinala o 70º aniversário da fundação da República Popular da China.

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