Na passada segunda-feira, 24 de maio, o casal de lésbicas namorava no jardim do Arco do Cego, em Lisboa, quando um homem as interpelou “com o típico discurso de ‘acham bem o que estão a fazer, há aqui crianças’”, denunciou um post no twitter. Uns minutos depois, pelo menos, nove guardas da PSP dirige-se ao casal, “a alegar que receberam muitas queixas de que elas estavam ali a ter comportamentos impróprios”.
Em pergunta, ao Ministro da Administração Interna e à Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, o Bloco de Esquerda pergunta se têm conhecimento da situação, que ações vão tomar para que seja apurada a veracidade dos factos e para que situações como a ocorrida não se repitam.
No documento, o Bloco de Esquerda salienta que “o respaldo a denúncias homofóbicas perpetua preconceitos e atos de violência contra casais homossexuais, assumindo este comportamento uma maior gravidade quando praticado por agentes cujo papel é defender o cidadão e a lei”.
O Bloco considera que “a PSP deveria ter-se limitado a esclarecer os alegados denunciantes que neste país não se discrimina atos de namoro, sejam eles praticados por heterossexuais ou por homossexuais”.
“A igualdade entre cidadãos, apesar de se encontrar prevista e protegida na nossa lei, deve concretizar-se todos os dias, atentando contra a mesma os atos alegadamente praticados, devendo assim apurar-se a sua veracidade”, refere ainda a pergunta do Bloco.
Denúncia publicada no twitter:
Estava no jardim do Arco do Cego, no Saldanha, com umas amigas, quando um senhor foi até ao encontro de um casal LGBTQ+ com o típico discurso de "acham bem o que estão a fazer, há aqui crianças, bla bla bla. Já aí ficámos incomodadas, mesmo não sendo nada connosco. Passado + pic.twitter.com/wu2hD8E3E5
— Feliciano (@biaa__feliciano) May 24, 2021