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Homem negro é mortalmente espancado por seguranças em loja do Carrefour no Brasil

A brutal agressão ocorreu ocorreu em Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra, foi gravada em vários vídeos e causou grande indignação no país. A cadeia francesa de supermercados tem um historial de violência e negligência no Brasil.
Foto do brutal e mortal espancamento na loja do Carrefour em Porto Alegre, no Brasil, a 19 de novembro de 2020
Foto do brutal e mortal espancamento na loja do Carrefour em Porto Alegre, no Brasil, a 19 de novembro de 2020

Um homem negro morreu após ser espancado por dois seguranças, um dos quais também polícia militar, numa loja da cadeia francesa Carrefour na cidade de Porto Alegre, no Brasil. A agressão ocorreu na passada quinta-feira, 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra.

O homem negro, João Alberto Silveira Freitas de 40 anos, tinha se desentendido com uma funcionária da loja. Dois seguranças intervieram, agarraram João Freitas e conduziram-no até à porta da entrada da loja, onde o agrediram brutalmente a soco e pontapé. As agressões continuaram mesmo após o homem ter desmaiado. Os dois seguranças foram presos em flagrante e estão acusados de homicídio qualificado.

A morte de João Freitas provocou uma onda de indignação em todo o Brasil e levou à tomada de posição de inúmeros dirigentes políticos, nomeadamente os antigos Presidentes da República, Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Manuela d’Ávila, que foi candidata a vice-presidente de Fernando Haddad nas últimas eleições presidenciais e que disputa a prefeitura de Porto Alegre na segunda volta das eleições municipais, escreveu no twitter que “o racismo que estrutura as relações de nossa sociedade precisa ser enfrentado de frente”, sublinhando que “as mulheres e homens brancos precisam assumir a sua responsabilidade na luta antirracista”.

Segundo o Brasil de Fato, o crime está a ser investigado pelo Ministério Público de Porto Alegre, que analisará as imagens das câmaras do supermercado, assim como os vídeos de pessoas que filmaram a agressão.

A cadeia Carrefour do Brasil declarou, em nota no facebook, que “adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso”. Na nota pode ainda ler-se: “O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário”. A cadeia Carrefour no Brasil diz ainda no comunicado que iniciou uma “rigorosa apuração interna do caso”, consideram que “nenhum tipo de violência e intolerância é admissível” e declaram que não aceitam “que situações como estas aconteçam”.

Carrefour Brasil: um historial de violência e negligência

No entanto, segundo o Brasil de Fato, a rede Carrefour do Brasil “carrega um histórico de violência e descaso envolvendo os clientes e os próprios funcionários”. Em agosto passado, um trabalhador do Carrefour morreu no trabalho, numa loja do grupo no Recife, foi coberto por guarda-sóis, cercado por caixas e esteve nessa situação e nesse local entre 8h e 12h para que a loja continuasse aberta e a funcionar.

Noutros casos, ocorridos em outras lojas do grupo, em 2009, 2017 e 2018, há outros casos de racismo, de violações de direitos laborais e assédio moral e há até agressões contra animais.

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