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Holanda: “Não” vence referendo ao acordo UE/Ucrânia

O acordo UE/Ucrânia foi rejeitado no referendo realizado na Holanda, por 61% do 'não' contra 38% do 'sim'. A consulta teve uma baixa participação, mas ficou acima dos 30% mínimos para o referendo ser válido. Primeiro-ministro diz que vai reavaliar a posição do Governo.
Cartas pelo Não do Socialist Party, que pertence ao GUE/NGL no parlamento europeu

Com 98% dos votos contados, a percentagem de votantes no referendo era de 32,1%, segundo o Daily Mail citando a agência holandesa ANP.

A votação no “Não” atingia os 61%, enquanto a percentagem do 'sim' era de 38,2%. Os restantes eram votos nulos ou em branco.

Após o fecho das urnas, o primeiro-ministro, o liberal Mark Rutte, declarou que o Governo holandês terá de reconsiderar a sua decisão de ratificar o acordo, após a rejeição esmagadora no referendo.

Segundo o “Público”, Mark Rutte disse que “o Governo não vai ignorar um voto no 'não' que seja válido”.

O referendo não é vinculativo, mas será válido com uma participação superior a 30% e o Governo terá de decidir se rejeita o resulta da consulta ou se a tem em conta.

A rejeição do acordo é um duro golpe para o governo que, além de ter assinado o acordo UE/Ucrânia, fez intensa campanha pelo sim no referendo.

O Governo é composto por uma coligação entre os liberais do VVD do primeiro-ministro Mark Rutte, e os trabalhistas (PvdA), também no governo, do ministro das Finanças e chefe do Ecofin, Jeroen Dijsselbloem.

Os partidos do governo estão em forte queda nas sondagens, que apontam para uma redução de 41 deputados para 23/24, em relação aos liberais do VVD, e para uma perda, em relação ao partido de Dijsselbloem, de 30 dos 38 deputados que tem.

No referendo o 'não' foi defendido à direita pelo partido de extrema-direita PVV, com argumentos anti-imigração, e à esquerda pelo Socialist Party, que faz parte do GUE/NGL no parlamento europeu. O SP defendia o 'não' como o melhor para a Ucrânia, para a Holanda e para a Europa, como se pode ver no cartaz.

O líder do SP; Emile Roemer, declarou nesta quarta-feira, a seguir ao encerramento das urnas que a rejeição do acordo era uma grande vitória para a Ucrânia e a Holanda. Roemer acrescentou ainda que com a retirada deste tratado, a Holanda pode ajudar a Ucrânia “não para enriquecer os oligarcas, mas para ajudar a construir um Estado de direito e a combater a corrupção”.

 Notícia atualizada às 23.55 de quarta-feira, 6 de abril de 2016

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