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Histórico ativista LGBT recusa convite para o jubileu da rainha

Convidado para integrar o cortejo do Jubileu no seleto grupo de personalidades consideradas "património nacional", Peter Tatchell recordou que "as palavras lésbica, gay, bissexual e trangénero" nunca foram ditas em público por Isabel II desde que assumiu o trono em 1952.
Peter Tatchell. Foto Jason Wen/Flickr

A comemoração do jubileu de platina da rainha inglesa vai contar com o habitual desfile, que integra um grupo de cerca de cem personalidades, "respeitadas e admiradas", incluídas pelo protocolo na categoria de "património nacional". Uma dessas personalidades a receber o convite foi Peter Tatchell, um dos mais proeminentes ativistas pelos direitos LGBT+ no país nas últimas décadas.

Numa coluna de opinião no Guardian, intitulada "Não obrigado, minha senhora. Para os ativistas LGBT como eu, o seu jubileu não é motivo de festa", Tatchell confessa a sua surpresa ao receber o convite por ser conhecido o seu empenho na causa republicana. "Não quero participar num desfile que celebra um regime monárquico baseado na hierarquia, deferência e na riqueza, estatuto e poder herdados", afirma o ativista, acrescentando ser "errado e ofensivo" que "o membro da família real mais estúpido e imoral, pela circunstância da família em que nasceu, seja considerado mais apto para ser o nosso chefe de Estado do que o plebeu mais sensato e ético".

Além de considerar os festejos uma "operação gigantesca de relações públicas e propaganda para a monarquia", Tatchell afirma também que embora não considere Isabel II uma homófoba, "tanto quanto sei, as palavras lésbica, gay, bissexual e trangénero nunca passaram publicamente pelos seus lábios desde que ascendeu ao trono em 1952". E não faltaram oportunidades para isso, como no atentado bombista de 1999 num bar gay no Soho que deixou três pessoas mortas e mais de 70 feridas, que não mereceram nenhuma visita da monarca.

"Ser ignorado ao longo de sete décadas dá a sensação de uma deliberada indelicadeza", prossegue Peter Tatchell, dando conta de que por várias vezes escreveu à rainha e à sua assessoria de imprensa sobre estas falhas, sem receber outra resposta do que uma nota formal a tomar conhecimento. Entre essas falhas está o facto de Isabel II nunca ter apadrinhado nenhuma instituição de caridade LGBT+, apesar de o fazer com mais de 600 instituições. Ou por na única vez em que deu os parabéns pelo 40º aniversário da linha telefónica de apoio LGBT, o ter feito numa mensagem pró-forma e "sem mencionar o trabalho LGBT+ que a linha leva a cabo".

A sublinhar a sua ausência da festa de 5 de junho em frente ao Palácio de Buckingham, Peter Tachell classifica a monarquia como "um resquício do feudalismo que resiste às aspirações modernas por democracia, igualitarismo e meritocracia".

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